Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enviados pelos próprios cartórios apontam um crescimento do sub-registro no Paraná. Com base nos 168.277 registros feitos em 2000, o índice era de 13,3%. Em 2001, último ano em que os dados foram tabulados, 172.991 pessoas foram registradas e o índice de população sem registro civil alcançou 17%.
Números intrigantes já que em 1997 começou a vigorar uma lei federal que instituiu a gratuidade para registros de nascimento e de morte. Na ocasião, o governo de Fernando Henrique Cardoso acreditava que estava acabando com o principal obstáculo para a realização destes procedimentos, que seria o alto custo para a população carente.
''Estes números sugerem que o foco estava errado. Até porque quem é do setor sabe que pobre nunca foi obrigado a pagar registro civil no cartório'', comenta Dante Ramos Júnior, 39 anos, registrador civil em Paranavaí, e presidente doo Instituto de Registro Civil de Pessoas Nascidas no Paraná (Irpen/PR) e diretor institucional da Associação dos Notários e Registradores do Estado do Brasil (Anoreg-PR).
Ramos Júnior acredita que com a campanha pelo registro quando os cartórios estarão excepcionalmente abertos das 8h30 às 18 horas e os juízes das Varas de Registro Público estarão de plantão é a primeira da história que aborda com propriedade a questão. No Paraná, o coordenador da campanha é o secretário da Casa Civil, o registrador Caíto Quintana. ''É a primeira vez que se encara o problema como um aspecto cultural do povo, a cultura do registro tardio'', interpreta Ramos Júnior. ''Tem que ficar claro para o cidadão que sem o registro é como se a criança não existisse para o Estado, é como se ela não tivesse direitos ou deveres'', comparou.
Ele lembrou que alguns hábitos contribuem para este retrocesso: mães solteiras que aguardam o reconhecimento da paternidade e pais que esperam o filho ser matriculado na escola para providenciar o documento e as dificuldades de deslocamento dos pobres até o cartório, a maioria na zona rural.
Para ele, os maiores desafios da campanha são os pequenos municípios, de maioria de população rural, a fronteira oeste, que concentra as chamadas crianças brasiguaias (a migração constante desestimula o registro) e os acampamentos dos sem-terra. Estes locais já recebem atenção especial da estrutura itinerante do Tribunal de Justiça, que comanda uma ofensiva na confecção de documentos, inclusive de registro civil, e serão visitados pelos registradores.

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