Aumenta recusa para teste do bafômetro no Paraná
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quarta-feira, 14 de junho de 2017
Viviani Costa<br>Reportagem Local 

O teste simples que identifica a embriaguez ao volante tem sido rejeitado pelos motoristas. O número de condutores que se recusaram a fazer o exame de etilômetro, popularmente conhecido como bafômetro, aumentou em 29% entre janeiro e maio de 2017 em comparação com o mesmo período do ano passado. As estatísticas são apenas em relação às rodovias federais do Paraná. Em 2017, 761 pessoas abordadas pelas equipes da PRF (Polícia Rodoviária Federal) decidiram não assoprar o equipamento. No mesmo período do ano passado, 588 se recusaram a fazer o exame. Em 2016 foram 1.500 recusas no total.
Além do crescimento na quantidade de recusas ao teste, o número de condutores flagrados embriagados saltou de 828 para 1.050 nos mesmos períodos, um crescimento de 27%.
Para o assessor de comunicação da PRF-PR, Luis Carlos Maciel Junior, os dados são preocupantes, já que nem mesmo a alteração recente no Código de Trânsito Brasileiro conteve o comportamento de risco dos condutores. "Por mais que a gente reforce a fiscalização nos dias e locais em que mais acontecem esses tipos de conduta, que são aos fins de semana e feriados, os motoristas continuam bebendo e dirigindo. É uma mudança de comportamento que leva tempo", afirmou.
A fiscalização nas estradas será intensificada durante o feriado prolongado. Equipes da PRF iniciaram nesta quarta-feira (14) a Operação Corpus Christi. Mais de 2.400 aparelhos de etilômetro serão utilizados. Além dos casos de embriaguez ao volante, excesso de velocidade e ultrapassagens em locais proibidos estão entre os alvos da operação. A PRE (Polícia Rodoviária Estadual) também reforçou o efetivo nas estradas. Radares móveis e ações educativas serão desenvolvidas pelas equipes da PRF e da PRE.

A quantidade de testes com etilômetro nas rodovias federais do Paraná aumentou 49% em todo o Estado nos primeiros meses do ano, de 53.779 exames para 79.966. Desde novembro, com a mudança na legislação, quem se recusa a fazer o teste também comete uma infração de trânsito. A multa prevista é classificada como gravíssima, no valor de R$ 2.934,70. O motorista tem o carro e a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) apreendidos e pode ter o direito de dirigir suspenso por até um ano.
O valor da multa é o mesmo para quem dirige embriagado. "Abaixo de 0,04 mg/l de álcool por litro de ar expelido não há punição ao motorista. Entre 0,04 mg/l e 0,33 mg/l de álcool por litro de ar é considerada infração administrativa com multa de quase R$ 3 mil e suspensão da CNH. O motorista é preso quando é constatado acima de 0,34 mg/l de álcool por litro de ar", explicou Maciel Júnior. Segundo ele, o tempo para que o organismo metabolize a bebida alcoólica ingerida varia de pessoa para pessoa. "Até quem bebe à noite e dirige no dia seguinte pela manhã pode ser flagrado no teste", alertou.
O efetivo da PRF e a quantidade de etilômetros não foram revelados. Maciel Júnior garantiu que toda equipe de plantão conta com equipamento na viatura. "Essa mudança de cultura não é do dia para a noite. A conscientização do motorista, geralmente, acontece depois da autuação ou após algum acidente grave com familiares ou amigos. É aquele ditado do 'nunca vai acontecer comigo'. Quando acontece, o motorista procura um táxi, passa a chave para alguém ou deixa o carro em casa", destacou.
Na região de Londrina, há aproximadamente 50 equipamentos em operação. Segundo o chefe da Delegacia da PRF em Londrina, Marcos Pierre, as equipes têm adotado a chamada "etilometria aleatória". "Quando você faz uma fiscalização de alcoolemia às 9 horas da manhã de uma terça-feira, provavelmente aquele motorista não estará embriagado. Mas, enquanto o teste é feito com aquele condutor, outros dez ou 20 condutores que passaram por ali viram e imaginaram que a fiscalização ocorreria também no fim de semana e decidiram não beber antes de dirigir", explicou. Na região, houve um leve aumento (de 244 para 258) na quantidade de motoristas que se recusaram a fazer o teste de etilômetro.
Antes da recusa ao exame ser considerada infração de trânsito, os policiais apenas redigiam um termo de constatação dos condutores que apresentavam sintomas de embriaguez, como olhos vermelhos, fala desconexa e andar cambaleante. A CNH era recolhida e o procedimento seguia para a Polícia Civil. Fotos, vídeos e declarações de testemunhas também eram registrados. "Foi um avanço na legislação. O teste é a favor de quem quer provar que não consumiu nada", defendeu.
Quem dirige sabe dos perigos da combinação entre bebida alcoólica e direção, mas admite que adota o comportamento de risco ou conhece alguém que não vê problemas nesse tipo de atitude. "Principalmente nas festas de fim de ano, é muito difícil ir e não beber. Eu mesmo bebo cerveja, mas não perco o sentido. Acho que depende da natureza da pessoa. Agora tento ir de carona, mas meu amigo bebe, então também não sei se adianta", contou sorrindo o motorista que preferiu não se identificar.
Uma funcionária do comércio, que também não se identificou, explicou a estratégia que adota para conter o filho. "Escondo a chave do carro quando vejo que ele está muito ruim. Meu filho já capotou o carro uma vez por causa de bebida. Agora ele bebe menos, mas ainda não aprendeu", lamentou.
Motoristas que notarem veículos trafegando em zigue-zague na rodovia e suspeitarem de embriaguez ao volante podem entrar em contato com a PRF pelo telefone 191. A equipe repassa as informações também para a PRE. Os policiais tentam abordar o veículo e retirar o motorista da rodovia para evitar acidentes.


