Washington, 28 (AE) - Poucos contestam a tese da administração Clinton segundo a qual, na base da espetacular prosperidade econômica que os Estados Unidos vivem hoje, está o programa de austeridade fiscal que o governo conseguiu aprovar no Congresso, em 1993 - por apenas um voto de diferença na Câmara de Representantes.
No ano passado, o governo federal registrou seu primeiro saldo orçamentário em 30 anos e juntou-se aos governos dos estados e municípios, que são proibidos, pelo bom senso e por leis próprias, de operar com déficits.
O aumento de juros que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, deve aprovar entre terça e quarta-feira poderá gerar alguma ansiedade sobre a continuação da expansão econômica. Mas, no que depender da saúde fiscal do país, a continuação da bonança parece assegurada.
O presidente Bill Clinton anunciou nesta segunda-feira (28) que os saldos orçamentários do governo federal serão bem maiores do que inicialmente projetados. Este ano, a sobra projetada é de US$ 99 bilhões, US$ 20 bilhões mais do que o saldo estimado em fevereiro. No ano próximo ano fiscal, que começa dia 1º de outubro, o governo federal terá seu primeiro saldo independente do orçamento da Seguridade Social, que foi a fonte do superavit orçamentário de US$ 70 bilhões contabilizado no ano passado.
Feitos os cálculos, a Casa Branca projeta agora um saldo federal de US$ 1,08 trilhão nos próximos 15 anos, com US$ 715 bilhões gerados fora do orçamento da Seguridade Social.
Se, em lugar de saldo, os EUA tivessem um déficit fiscal igual ao do setor público do Brasil, teria um buraco de US$ 1 trilhão no orçamento federal.
Os novos números são a munição que Clinton pretende usar nos próximos meses na batalha com seus adversários republicanos para recapitalizar a Seguridade Social e o reformar o sistema federal de seguro de saúde Medicare.
Segundo o presidente, "No ano 2015 este país poderá estar completamente sem dívida se não desperdiçarmos o saldo escolhendo ganhos de curto prazo em detrimento de objetivos nacionais". Apenas metade da dívida pública de US$ 5,7 trilhões dos EUA é com o público. O restante, é dinheiro que o governo deve a si próprio.
Enquanto os republicanos querem devolver a maior parte do saldo projetado aos contribuintes, aprovando uma redução de impostos, Clinton propõe que US$ 543 bilhões sejam investidos na Seguridade Social nos próximos 15 anos. Segundo ele, isso manteria o sistema federal de pensões solvente até o ano 2053.

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