Jacarta, 21 (AE-REUTERS) - Vinte e quatro pessoas morreram nos dois dias de confronto entre cristãos e muçulmanos no leste da Indonésia, disse hoje (21) o chefe da polícia do país.
Este foi o mais recente tumulto de uma série de explosões sangrentas que atingiram predominantemente a Indonésia muçulmana e foi o pior incidente isolado desde a desordem em Jacarta, que matou cerca de 1.200 pessoas em maio.
O tenente-general Roesmanhadi disse aos repórteres que 22 pessoas morreram nos distúrbios em Ambon, cidade de maioria cristã, e duas outras quando a violência se espalhou para a ilha vizinha de Sanana.
Mais de 100 pessoas ficaram gravemente feridas.
Segundo o tenente-general, "essa violência é puramente criminal e não tem nenhum fundamento político".
A imprensa local reportou outros confrontos ao redor do país, inclusive quatro outras mortes nos últimos dois dias, manchando as celebrações muçulmanas do Eid al-Fitr, que marcam o fim do mês sagrado do Ramadã.
O chefe de polícia disse que Ambon estava calma hoje (21). Mais de 2.500 soldados foram enviados à cidade para manter a paz.
Os distúrbios de Ambon deixaram 88 casas, três mesquitas e três igrejas queimadas. Os vôos para a cidade foram cancelados.
A Indonésia foi atingida por uma onda de violência durante o ano passado, quando as dormentes tensões étnicas, religiosas e políticas entraram em ebulição.
Em Jacarta, o governo desmentiu hoje que o líder separatista do Timor Leste, Xanana Gusmão, será transferido para prisão domiciliar. Segundo o ministro da Justiça, Muladi, a Indonésia não tem uma lei que permita que um condenado cumpra sua senteça fora da prisão.
A agência de notícias portuguesa Lusa havia anunciado a tranferência de Gusmão, que cumpre uma pena de 20 anos e está preso desde 1992.
A Indonésia enfrenta resistência armada no Timor Leste desde a invasão, em 1975. A Indonésia anexou o território de 800.000 pessoas em 1976, numa ação não reconhecida pelas Nações Unidas.

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