Salvador, 23 (AE) - Aumentou para 21 o número de mortos no acidente com um caminhão pau-de-arara, na sexta-feira à noite
na zona rural de Casa Nova, a 550 quilômetros de Salvador. Mergulhadores resgataram ontem (22) à tarde a última vítima, uma menina de 4 anos, que estava presa na carroceria do caminhão submerso no Açude Baluá. Todos morreram afogados.
O enterro coletivo, marcado por muita emoção e revolta, foi no final da tarde de ontem (22), no povoado de Lagoa do Alegre, onde viviam as vítimas. A prefeita de Casa Nova, Dagmar Nogueira (PFL), decretou luto municipal por três dias.
O acidente foi na rodovia BR-235, quando o caminhão pau-de-arara, dirigido por João Dias da Silva retornava para Lagoa do Alegre, depois de levar 27 moradores para fazer a feira semanal na cidade de Casa Nova. Numa ladeira um furgão que vinha em direção contrária fez uma ultrapassagem irregular e se projetou em direção ao caminhão. Silva tentou desviar mas perdeu o controle e o caminhão caiu no açude, à margem da rodovia.
Dos 27 trabalhadores rurais, homens, mulheres e crianças
apenas seis se salvaram porque caíram no barranco antes de o caminhão atingir a água. O veículo capotou e parou no fundo do açude com as rodas para cima. As 21 pessoas se afogaram, presas na estrutura de ferro montada na carroceria do caminhão para segurar uma lona, usada como "proteção" para os passageiros.Devido à precariedade do transporte no interior dos estados do Nordeste, a utilização dos chamados caminhões pau-de-arara, também conhecidos como gaiola, é comum e frequentemente provoca tragédias.
A Delegacia de Casa Nova não havia identificado até a tarde de hoje o motorista do furgão que teria causado o acidente. Alguns agricultores da região disseram à polícia que ele trabalharia para uma empresa do município de Petrolina (PE).

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