São Paulo, 28 (AE) - Para 14,07% dos empresários da região metropolitana de São Paulo, a situação econômica do Brasil está melhor este mês; em janeiro, esse número foi menor - 10,5%. Para os próximos 12 meses, 46,5% do empresariado espera que o quadro seja melhor em relação ao registrado no ano passado. Os dados são da Pesquisa de Opinião do Comércio (POC) realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e divulgada em parceria com a Agência Estado. Na análise
são ouvidas cerca de 200 pessoas do setor na capital.
A análise revela que 53,9% dos entrevistados acreditam que o quadro econômico do País está igual ao do mês anterior, enquanto 30,62% acham que está pior e, 1,32% não souberam responder. Daqui a um ano, para 33,11% dos empreendedores, a situação de suas empresas estará igual ao verificado no ano passado. Já para 14,73%, a perspectiva é de piora para o setor; 5,62% não souberam dizer.
Segundo o economista da FCESP, Fábio Pina, a expectativa de melhoria da economia brasileira deve-se, em parte, a uma percepção positiva do setor sobre a inflação, ao câmbio e ao preço do petróleo. "Mesmo com a alta dos combustíveis a inflação não deve ser afetada. Outro dado a interferir na economia brasileira são as taxas de juros dos Estados Unidos, mas o cenário americano, apesar de não ser dos melhores, não chega a assustar os empresários. Já o cenário argentino é o mais perigoso, mas também não deve interferir no quadro econômico", acredita o economista.
Os setores que devem se destacar em 2000, segundo a pesquisa, são o automobilístico e o de semiduráveis, que não tiveram um "ano bom" em 1999. Para 52,3% dos entrevistados, o segmento de automóveis deve melhorar este ano, e para 48,71% o setor de semiduráveis deve reagir em 2000.
"Essa expectativa é considerada normal para esses setores que não tiveram um 1999 considerado bom", comenta Pina. "No caso de semiduráveis, uma das explicações de queda do setor foi o clima, que não se definiu e atrapalhou as vendas, segundo lamentam os lojistas."
Real - A nota atribuída ao Plano Real voltou a subir em fevereiro pelo terceiro mês consecutivo. O valor atribuído ao Real saiu de 4,05, registrado em janeiro, para 4,51 em fevereiro. "E deve permanecer em alta nos próximos meses", diz o economista. Segundo a pesquisa, apesar de os empresários estarem otimistas quanto à situação econômica do País, o setor também está cauteloso na hora de repor o estoque. A reposição de mercadorias no comércio varejista de São Paulo, para 43,21%, está igual ao do mês passado. Para 9,27% dos entrevistados os estoques estão até 10% maiores que o de janeiro, e 7,78% acham que a reposição aumentou entre 10% e 20%. Já para 14,23% dos empresários os estoques estão até 10% menor que o verificado em janeiro.
Para 35,26% dos empresários, o movimento nas vendas neste mês em relação a fevereiro de 1999 continua igual. Para 10 26%, o movimento aumentou em até 10%, enquanto para 13,90%, diminuiu entre 10% e 20%. O índice de inadimplência do setor, após dois anos de insolvência, está caindo, segundo a análise da Federação. "Mesmo com a alta registrada em fevereiro, considerada normal por conta de despesas como matrículas escolas
pagamentos de impostos e pagamento de contas de final de ano, o número de pessoas inadimplentes deve cair nos próximos meses", diz o economista.

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