São Paulo, 28 (AE) - O pessimismo do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo em relação à situação da economia brasileira aumentou em janeiro. Pesquisa de opinião realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FECSP), com comerciantes da região, mostra que 39,8% dos entrevistados acreditam na piora da situação do País, neste mês, em comparação a dezembro, quando 34,7% viam um cenário mais negativo do que em novembro. Da mesma forma, 30,13% dos comerciantes afirmaram que os próximos 12 meses serão piores para o Brasil em relação aos 12 meses anteriores, porcentagem que no mês passado era de 25,6%.
Os resultados da pesquisa evidenciam, segundo técnicos do Departamento de Economia da FCESP, um clima de pessimismo que irá se acentuar, pois o levantamento realizado em janeiro ainda não reflete a desvalorização cambial. Em dezembro, a porcentagem dos que acreditavam na melhora da situação do Brasil em relação ao mês anterior era de 19,2%, recuando para 13,32% neste mês.
A nota média atribuída ao Plano Real foi 5,88. Esta aprovação, entretanto, é feita "com ressalvas", pois a pesquisa detectou que as possibilidades de desvalorização da moeda já eram de conhecimento dos entrevistados. De acordo com a entidade, esta nota certamente será menor daqui para a frente, pois a estabilidade do poder de compra da moeda, verificada há até duas semanas, era um dos grandes fatores de aprovação do Plano Real.
Os técnicos da FCESP avaliam que o desemprego, as altas taxas de juros e o déficit público tinham pesos menores quando se tratava da avaliação do real, pois a moeda forte superava todos os aspectos negativos. Perdida esta característica, o índice de aprovação será menor, de acordo com a entidade.
O nível de estoques apurado pela pesquisa mostrou-se normal para o período. O faturamento, entretanto, é menor em relação a janeiro de 1998 e mostra tendência de queda. Por esta razão, 63% dos empresários do comércio acreditam que o nível dos estoques é adequado e que qualquer necessidade de ajuste pode ser respondida com rapidez.
O comprometimento do faturamento com cheques pré-datados diminuiu, mas ainda está muito elevado (86,9%) neste mês, ante dezembro (87,6%). A Federação avalia que foi este cuidado com os números do faturamento e com a cessão de crédito que contribuíram para que a queda da inadimplência em -16%, em janeiro, em relação ao mês anterior.
As encomendas à indústria podem ser consideradas normais para um mês de vendas fracas. A formação de estoques sob consignação continua a ser feita por 15% dos comerciantes, como forma de baratear o custo para o comércio e de desovar produção por parte da indústria.

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