São Paulo, 19 (AE) - Há um dado novo no desemprego medido na Grande São Paulo este ano. O índice está numa aceleração preocupante justamente para um grupo de trabalhadores que não pode ficar sem ocupação: o dos chefes de domicílio, ou seja, homens e mulheres diretamente responsáveis pelo sustento das famílias. De janeiro a abril, o desemprego para essa faixa cresceu 21,4%. No mesmo período, o índice geral aumentou bem menos: 16,7%. Essa diferença de 4,7 pontos porcentuais, registrada na última pesquisa Seade-Dieese, já pode ser sentida nas filas de desempregados que se formam todos dias em agências de empregos da cidade, onde os chefes de família são os mais assíduos, pela necessidade urgente de se reintegrarem no mercado, ou no número de currículos que chegam todos os dias nas empresas.
Entre os inscritos nas frentes de trabalho que serão abertas pelo governo estadual, os chefes de família somaram 36 7% dos candidatos, segundo levantamento da Secretaria estadual do Emprego e Relações do Trabalho nos dois primeiros dias de cadastramento. Incansáveis, alguns pais e mães, que sempre foram o esteio de suas famílias, chegam a mandar uma média de 50 currículos por mês para agências e empresas e saem quase todos os dias em busca de respostas. Ex-gerente, o administrador de empresas Percídio Antônio Alves da Silva, por exemplo, já enviou em sete meses exatos 350 currículos.
Dione Agda Carvalho Silva, responsável direta pelo sustento da casa, não se abala diante de filas imensas de candidatos e mantém-se assídua na procura por emprego. Isso apenas quatro meses depois do nascimento do último filho. Embora haja hoje grande número de mulheres consideradas chefes de domicílio, os homens ainda são maioria nessa categoria. E para os homens, independentemente de idade e condição, o desemprego também vem crescendo demais: 20,3% só neste ano. A taxa de desocupação de mulheres cresceu bem menos: 12,9%.
Não se trata do fim das discriminação contra o trabalho feminino. Na verdade, tradicionalmente a remuneração da mulher trabalhadora tem menor peso no orçamento familiar. Em geral, diante de uma recessão como a dos últimos meses, a esposa tem condições de desistir de procurar por algum tempo, retirar-se do mercado de trabalho e só retornar quando houver sinais de aquecimento.
Enquanto os chefes de família são cada vez mais afetados pelo desemprego este ano, as crianças e adolescentes parecem estar em situação melhor. No mesmo período, o desemprego entre jovens de 10 a 14 anos caiu 2,5%. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos aumentou, mas relativamente pouco: 6,8%. É que, sem oportunidades, eles também tendem a sair do mercado, voltar para a escola e para atividades mais adequadas a esta faixa etária. Já o chefe de família tem de perseverar, pois dele depende todo o núcleo familiar.

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