Luanda, 20 (AE-AP) - Mais de 40.000 pessoas chegaram durante o final de semana à cidade de Kuito, na região montanhosa do centro de Angola, e se juntaram aos cerca de 160.000 refugiados internos que buscam por abrigo devido às batalhas entre o governo e o grupo rebelde UNITA.
Luis dos Santos, governador da província de Bie, onde Kuito está localizada, contou à estação de rádio católica Ecclesia que a onda de refugiados contribuiu para piorar ainda mais a situação orçamentária da cidade.
Segundo Santos, há escassez de comida e a municipalidade não dispõe de barracas em número suficiente para abrigar os recém-chegados.
O exército governamental lançou uma grande ofensiva na semana passada contra supostas fortalezas rebeldes através do país. Um novo ataque planejado pelo exército naprovíncia de Andulo deverá piorar ainda mais a crise humanitária em Angola, onde há 1,7 milhão de pessoas deslocadas em uma população de 11 milhões.
Uma das bases principais de UNITA está em Andulo, a 90 quilômetros ao norte de Kuito. A província é fortemente defendida pelos rebeldes, o que leva a crer que um grande número de tropas esteja envolvido no ataque.
A guerra civil entre o governo e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) reiniciou em dezembro do ano passado com a quebra de um acordo de paz que já durava quatro anos.

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