Aumenta número de mulheres assassinas em SP
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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 17 (AE) - Aumentou o número de mulheres assassinas na capital paulista. Em 1998, 3% dos homicídios foram cometidos por mulheres, ante 1% em 1997. Dos 5.157 homicídios dolosos praticados em 1998, 90% foram praticados com armas de fogo. O maior número de vítimas foi do sexo masculino: 93%, entre 18 e 32 anos. Entre os assassinados, 7,92% eram crianças e adolescentes. Janeiro e março foram os meses em que houve o maior registro de homicídios. A maioria ocorreu entre 21 horas e meia-noite.
As informações constam do anuário concluído esta semana pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A pesquisa, realizada com base nos inquéritos policiais instaurados pelo departamento e pelos distritos, revelou ainda que a maioria dos assassinos tinha entre 18 e 32 anos.
As crianças e os adolescentes foram responsáveis por 8 48% dos homicídios. Em 1997, o número foi de 7,84%.
Em 1998, 39,20% dos homicídios foram praticados nos fins de semana. Segundo o diretor do DHPP, delegado Jorge Miguel, a pesquisa mostrou que os motivos principais foram a concentração de pessoas em bares, principalmente da periferia, e o aumento do uso de álcool, cocaína e crack.
A delegada Elisabete Sato, da Divisão de Proteção à Pessoa, disse que o envolvimento cada vez maior das mulheres em assassinatos se deve à ligação delas com traficantes e assaltantes. "Tem mulher vendendo drogas, chefiando ladrões de bancos e muitas matam para defender seus grupos."
A policial adiantou que há casos em que jovens são induzidas por assaltantes a fazer parte do grupo. Recebem dinheiro, jóias, roupas de grife, usam drogas e "se afundam cada vez mais no crime."
O anuário traz um capítulo das chacinas entre 1996 e 1998. Nas 101 que ocorreram na capital nos três anos, 349 pessoas foram mortas. Outras 62 baleadas sobreviveram.
O DHPP identificou 150 autores e prendeu 78. A pesquisa revela ainda que 39,3% das execuções tiveram como motivo o tráfico e o uso de drogas; 8,9% a vingança, 4,4% desentendimento; 4,4% acerto de contas; 3,3% passional; 2,2% testemunhas de assassinato; 1,1% latrocínio (assalto seguido de morte); e 35,9% de causas indeterminadas. A maioria das chacinas ocorreu entre 22 e 4 horas. Nas execuções, os criminosos usaram revólveres calibre 38, pistolas 380, 9 milímetros, 7,65, 40, e espingarda calibre 12. Das vítimas, 62,21% eram solteiras e 17 45% casadas.
Os homens e mulheres sem profissão definida foram as maiores vítimas nas chacinas: 19,82%, seguidos dos ajudantes, 11 80%, estudantes, 7,55%, pedreiros, 5,19% e mecânicos, 3,77%. Das vítimas, 109 eram viciados. Dos autores, 20,23% disseram trabalhar como ajudante; 10,7% não tinham profissão; 5,96% eram serventes; 4,75% office-boys; 4,77% estudantes.
A pesquisa aborda os principais crimes esclarecidos pelo DHPP e traz um registro da prisão do ex-motoboy Francisco de Assis Pereira, o maníaco do parque, que confessou ter assassinado nove mulheres nas matas do Parque do Estado, na zona sul.


