Aumenta número de empresas que querem identificar transgênicos
Vânia Casado
De Curitiba
Está aumentando o número de grandes empresas processadoras de alimentos que querem identificar a soja transgênica. Desde que os kits de identificação começaram a ser comercializados em outubro desse ano, já foram vendidos 70 kits sendo que cada um tem capacidade para fazer 100 testes. Para o ano que vem, deverá ser um número bem maior de kits, informou a representante da Gehaka, única empresa que distribui os equipamentos no País.
Empresas como Coimbra, de Ponta Grossa, e Ceval são algumas das clientes da Gehaka. A Imcopa de Araucária também está fazendo o teste de identificação da soja para garantir a origem e qualidade da matéria-prima que está comprando. A empresa fabrica lecitina de soja e exporta para a Europa. As empresas querem fazer a certificação de seus produtos e para isso estão recorrendo aos testes para identificar o produto transgênico do não transgênico.
As empresas iniciarão os testes já a partir da entrada da safra 99/2000. Eles serão feitos nos grãos recebidos e com isso as empresas terão condições de encaminhá-los para armazenagem em locais distintos, disse a gerente comercial da Gehaka, Rita Prado Froes.
Segundo Froes, algumas empresas já adquiriram o kit para fazer os testes na soja que está plantada para facilitar a segregação no recebimento. Elas argumentam que fazer os testes com o grão pode comprometer o bom andamento do escoamento da safra. Na lavoura é mais fácil fazer o teste, recomenda.
Com o kit, o teste é muito rápido e é semelhante aos testes de gravidez. Ele contém uma enzima que identifica a proteína da soja Roundyp Ready (transgênica). Para isso basta colocar um pedaço do grão no reagente e se o resultado for avermelhado com um traço, o resultado aponta que a soja é tradicional. Se apresentar dois traços, o grão é transgênico.
O engenheiro-agrônomo Ricardo Antônio Ayub, do departamento de Biotecnologia Vegetal da Universidade de Ponta Grossa, contestou a informação de que a soja brasileira convencional receberá sobrepreço no mercado internacional. A afirmação foi feita durante o Simpósio sobre as Perspectivas das Plantas Transgênicas na Agricultura, realizado pela Unesp, de Jaboticabal-SP.
Ayub citou a atual situação dos agricultores do Paraná, que comercializam a soja para a empresa Batavo. Eles estão recebendo o mesmo preço em contrato fechado para fornecimento único e exclusivo de soja tradicional. Se o Brasil aprovar o plantio de soja transgênica, poderá inclusive ocorrer uma queda na oferta de produto tradicional, acredita.
Mas as empresas que estão recorrendo aos testes, não estão fazendo isso para ganhar mais. E sim para não perder os contratos já firmados com os clientes europeus que exigem o fornecimento de soja não transgênica. É o caso da Frangosul, no Rio Grande do Sul, e da Imcopa, em Araucária. Elas estão fazendo os testes por exigência de seus clientes.
O agrônomo defende a tecnologia do produto geneticamente modificado, argumentando que os ganhos obtidos com as variedades de soja transgênica são bastante atrativos. O ganho por hectare chega a ser US$ 20 contra US$ 16 no plantio tradicional. De acordo com a Fundação para o Desenvolvimento e Pesquisa da Agricultura (Fundepag), a soja modificada geneticamente tem rentabilidade entre 5% e 14% maior do que o convencional. O custo de produção é 15% menor com a redução do uso de combustível para o plantio. Na colheita o custo cai em até 40% e a redução de impureza dos grãos é de 33%.





