Aumenta número de doutoras e mestras
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segunda-feira, 07 de março de 2005
Lígia Formenti<br>Agência Estado 
Brasília, DF - O número de professoras com mestrado ou doutorado cresceu no País de 1996 a 2003 bem mais do que o de professores, segundo pesquisa do Ministério da Educação e pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. O estudo foi divulgado na véspera do Dia Internacional da Mulher. No período, o total de professoras com doutorado subiu 104%, marca bem superior à registrada entre os homens: 69,2%. O crescimento de professoras com mestrado também foi superior: 119,4% ante 106,1%.
A pesquisa revela o aumento da participação das mulheres em todos os níveis de ensino. Na educação infantil, o crescimento foi de 48,1%. No ensino fundamental, 2,25%. No ensino médio, o fenômeno se acentua: as mulheres representam 54% das matrículas. Na graduação, a presença feminina cresce tanto como alunas quanto como professoras.
No entanto, há ainda muito o que ser feito, afirma a ministra Nilcéa Freire. ''As queixas apresentadas por mulheres doutorandas são muito parecidas com as que são feitas por mulheres com reduzido nível de ensino. Os constrangimentos são os mesmos'', completou.
O trabalho analisou dados desde a educação infantil até a pós-graduação. O avanço mais significativo foi constatado justamente a partir da graduação. A comparação entre grupos masculino e feminino mostra que, em 1996, havia uma diferença em favor das mulheres no número de matrículas equivalente a 8,7%. Essa diferença, em 2003, passou para 12,8%. O número de professoras lecionando na educação superior também cresceu bastante: 102% entre 1996 e 2003, enquanto homens, no igual período, registraram um aumento médio de 67,9%.
Mesmo com taxas de crescimento de mulheres docentes com mestrado e doutorado superiores, o número de homens em tais atividades ainda é maior. Em 2003, havia 51.247 professores com mestrado, ante 45.263 professoras com o mesmo nível de ensino. Entre docentes com doutorado a diferença é maior: 34.807 homens e 21.431 mulheres, em 2003.
''Educação é um indicador de desenvolvimento, mas, ao mesmo tempo, é o que mais denuncia a discriminação'', afirmou Nilcéa. Ela observa que, embora o nível de conhecimento das mulheres tenha aumentado de forma significativa, há ainda uma grande diferença entre os salários de homens e mulheres. ''Até algum tempo, atribuía-se esta diferença à desigualdade de formação. Esta justificativa não se sustenta mais.''
A pesquisa deixa clara a desigualdade. Em 2003, o salário médio de uma profissional com 11 anos ou mais de estudo era de R$ 695,00. Um homem com o mesmo nível de escolaridade recebia R$ 1.362,00. O fenômeno se repete entre pessoas sem instrução. Em 2003, mulheres recebiam uma média de R$ 173,00. Homens, por sua vez, R$ 265,00.
A desigualdade também é patente quando se analisa a ocupação dos profissionais. Mulheres com nível superior de ensino dedicam-se mais às áreas de humanas e de saúde. ''Acreditamos haver uma pedagogia oculta de gênero'', afirma Tatau Godinho, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Tal comportamento de professores exerceria uma influência sobre o desempenho de alunos e alunas, ao longo da vida acadêmica.


