Aumenta número de depressivos
Agência Estado
De Brasília
Cerca de 24 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de transtorno depressivo na América Latina e Caribe, segundo um estudo da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) divulgado ontem, em Brasília. É um número altíssimo que requer uma ação concentrada com diversos setores, adverte o médico Itzhak Levov, coordenador do Programa de Saúde Mental da Visão de Promoção e Proteção da Opas. A organização assinala que um grande percentual de pessoas tem doenças depressivas mas não se trata.
As pessoas recorrem aos serviços de saúde com múltiplas queixas - dor de cabeça, não têm entusiasmo ou estão fatigadas - mas o seu estado depressivo não é reconhecido, diz o médico. Para a Opas, a situação é tão grave que a entidade quer envolver religiosos na busca de meios para controlar a depressão. Existe um potencial imenso para que trabalhando com religiosos possamos transformar a vida miserável de muita gente, afirma.
Segundo Levov, o fenômeno de carência de atenção, o que causa transtorno depressivo, afeta mais as mulheres que em muitos lugares da América Latina recorrem às igrejas em busca de cura para o problema. O coordenador da Opas defende ainda a necessidade de um entrosamento familiar para enfrentar a depressão. Levov diz que a depressão precisa ser encarada como uma doença e não uma debilidade de caráter.
A Coordenadora de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Maria Rita Pitta, afirma que os transtornos mentais em geral afetam aproximadamente 20% da população do Brasil. Esses transtornos são causados por fatores biopsicossociais, destacando-se a esquizofrenia, uso abusivo de álcool e drogas e os problemas familiares.
Entre as doenças em geral que mais incapacitam as pessoas para a vida social, a depressão é a campeã e foi responsável, no ano passado, por 32.468 internações por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), diz Ana Pitta. Ela explica que os transtornos mentais, incluindo-se a depressão, já representam hoje a quarta causa de gastos de internações no SUS.
Só no passado o Ministério da Saúde desembolsou R$ 438 milhões com internações desse tipo. Uma resolução do Ministério determina atenção especial para o tratamento dos transtornos psiquiátricos.
Com o apoio da Organização Pan-Americana de Saúde junto ao Ministério da Saúde, dos setores religiosos e industriais é possível ganharmos a batalha contra a depressão, aposta Levov, que no final de agosto virá ao Brasil para discutir com o Ministério da Saúde uma ação conjunta de combate à depressão. Segundo o estudo da Opas, o mais grave é que um grande percentual de pessoas recorre aos serviços de saúde, apresentam os sintomas de depressão mas não se tratam.





