Curitiba, 04 (AE) - A Secretaria de Saúde do Paraná informou que até a tarde de hoje tinham sido registrados 205 casos de contaminação pelo vibrião da cólera em Paranaguá, no litoral do Estado. Dezenove pessoas estão internadas. O surto continua restrito a alguns bairros próximos ao Rio Emboguaçu, onde foi notificado o primeiro caso há dez dias. Na manhã de sábado, uma mulher morreu na Santa Casa de Paranaguá. Os primeiros exames descartaram a cólera, mas ainda serão analisados o prontuário e histórico da mulher. Por enquanto, estão confirmadas três mortes.
A maior preocupação é manter a doença restrita aos bairros ribeirinhos ao Rio Emboguaçu, principalmente a Vila Guarani. Sábado, a governadora em exercício do Paraná, Emília Belinati, esteve em Paranaguá. "A preocupação maior é para que a cólera não se alastre para outros municípios do Estado, por isso todas as pessoas que tiverem qualquer sintoma, vômito ou diarréia, procure o médico para que possa dar o encaminhamento correto", alertou a governadora.
Agentes de saúde de Paranaguá e de municípios vizinhos intensificaram no fim de semana o trabalho de orientação aos turistas que passaram a Páscoa no litoral. No folheto, além das normas sobre a correta desinfecção e preparo de água potável e alimento, também aconselha-se a pessoa a procurar cuidados médicos quando perceber qualquer sintoma da cólera.
Para ajudar no controle e prevenção, técnicos e médicos especializados em cólera do Ministério da Saúde estão em Paranaguá.
Foram coletadas amostras de água em vários pontos da cidade e nas ilhas próximas à costa. Amanhã (05), as secretarias de Estado da Educação e Saúde iniciam um trabalho de orientação de professores e crianças nas escolas de Paranaguá. O objetivo é massificar as informações sobre a doença.
Um trabalho específico vem sendo feito no pátio de triagem do Porto de Paranaguá, com a desinfecção dos banheiros e orientação dos caminhoneiros. O vibrião da cólera tinha sido detectado em 1991 na região amazônica. Depois, foram observados casos da doença em Estados do nordeste e centro-oeste brasileiro. Com o aumento do fluxo de caminhoneiros no Porto de Paranaguá, em razão do transporte da safra, suspeita-se que o vibrião tenha vindo com eles.

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