DURAZZO, Albânia, 30 (AE-ANSA) - Dezenas de milhares de refugiados procedentes de Kosovo continuavam chegando nesta terça-feira (30) ao território albanês em um dramático êxodo ao qual a vizinha Macedônia fechou suas fronteiras devido à impossibilidade de fazer frente à situação.
Segundo dados fornecidos hoje pela Otan, os refugiados que escaparam dos sérvios em Kosovo nos últimos seis dias - quando foram realizados os bombardeios da Otan - são pelo menos 118.000.
Outras 270.000 pessoas - quase 30% da população kosovar - se viram obrigadas a abandonar suas casas e estão atualmente na condição de "desalojados".
"Os refugiados não fogem dos ataques aéreos da Otan", declarou em Bruxelas o porta-voz da aliança atlântica, Jamie Shea, acrescentando que, na opinião da aliança, tudo faz parte "de um plano programado pelos sérvios antes de a primeira bomba aliada cair sobre o solo iugoslavo".
Shea assinalou que pelo menos 100.000 refugiados já estão na Albânia.
Os números gerais fornecidos pelo porta-voz da Otan não levavam em conta os 42.000 refugiados que chegaram à república de Montenegro e os 22.000 já na Macedônia, que hoje anunciou o fechamento de suas fronteiras.
A Macedônia bloqueou o ingresso de mais refugiados kosovares de origem albanesa perante a impossibilidade de dar assistência a eles e o temor de uma revolta interna, pois os macedônios estão unidos com os sérvios por laços étnicos e religiosos - são eslavos e ortodoxos.
Pelo menos outras 9.000 pessoas se reuniram em poucas horas às dezenas de milhares de refugiados localizados na cidade fronteiriça albanesa de Kukes, para onde se deslocou hoje a ministra italiana de Interior, Rosa Russo Jervolino.
Jervolino, a caminho de Tirana para concretizar com as autoridades albanesas a ajuda emergencial da Itália nos próximos dias, disse que pôde ouvir e ver pessoalmente os desesperados, em sua maioria crianças, mulheres e idosos.
Os refugiados chegavam amontoados em caminhões, passando fome e frio e contando sobre atrocidades feitas pelos sérvios contra os kosovares.
"Diga-nos onde estão nossos homens. Eles foram roubados pelos sérvios", diziam algumas mulheres kosovares que chegavam a Kukes enquanto seus filhos choravam de fome.
Entretanto, o Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) acusava Belgrado - pela primeira vez desde o início do confronto entre sérvios e albaneses em Kosovo - de ter posto em marcha uma "limpeza étnica".
Muitos refugiados entraram na Albânia montados em tratores e velhos caminhões nos quais conseguiram fugir de Kosovo, pois quando chegam aos povoados fronteiriços encontram-se com quem nada tem para comer.
Os albaneses tentam ajudá-los e ao longo do caminho lhes dão água e pedaços de pão, pois estas são as únicas coisas que têm para dar, visto que a Albânia é um dos países mais pobres do mundo e habitualmente enfrenta o problema de seus milhares de imigrantes ilegais fugirem para o sul da Itália em busca de uma vida melhor.
Os próprios militares italianos se apiedaram hoje dos refugiados que chegavam a Durazzo, dando a eles sua própria comida - o que levou a ministra Jervolino às lágrimas.

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