Brasília, 23 (AE) - O Brasil registrou um aumento de 41% no número de transplantes realizados entre janeiro e maio, em relação ao mesmo período de 1998. Foram 1.496 cirurgias em 1998 contra 2.104 este ano. Para aumentar a capacidade do setor, o governo anunciou hoje que aplicará mais R$ 40 milhões no pagamento de cirurgias e para a melhoria do sistema de busca de doadores nos hospitais.
Dos R$ 40 milhões, o Ministério da Saúde investirá R$ 15 milhões em um sistema mais rápido na busca de doadores. O dinheiro será usado, por exemplo, para pagar a manutenção de um paciente vítima de morte cerebral na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até a retirada dos órgãos. Os outros R$ 25 milhões vão se somar aos R$ 45 milhões existentes para pagamento de cirurgias de transplante.
Além disso, para aliviar os gastos dos Estados com outros serviços de saúde, o governo federal destinará R$ 60 milhões para a compra de medicamentos, a maioria caros, usados para evitar a rejeição e manter o paciente após o transplante.
"Os Estados que gastavam este valor poderão usar o dinheiro para outra atividade", explicou o secretário de Assistência à Saúde do ministério, Renilson Rehem. O dinheiro novo para o setor de transplantes tem origem no remajamento orçamentário. O governo aproveitou saldos de outros ítens do orçamento e transferiu para o programa.
Entre janeiro e maio de 1998, foram realizados 21 transplantes de coração, contra 47 feitos no mesmo período deste ano. Comparando os dois períodos, aumentou de 606 para 818 o número de transplantes de rim. De três, passaram para sete os transplantes de pulmão, um acréscimo de 133%. Só no caso de medula houve uma redução, de 128 para 125 cirurgias.
O impulso, segundo o governo, deve-se ao crescimento dos hospitais credenciados para esse tipo de cirurgia, de 143 para 186. O Brasil ainda tem, no entanto, 24.510 brasileiros na fila de transplantes. A partir de setembro, uma campanha chamará o brasileiro a doar órgãos.
A idéia é acabar com situações, como a vivida no Ceará, onde 90% da população que fez a carteira de identidade depois da vigência da Lei de Doação de àrgãos decidiram registrar "não-doador" no documento. Do total de 4.675 transplantes feitos em 1998, São Paulo foi responsável por 1.658.

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