Aumenta controle sobre qualidade do sangue em hemocentros
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 24 (AE) - Para evitar que sangue contaminado com o HIV seja usado em transfusões, o Ministério da Saúde está investindo mais de R$ 48 milhões. O objetivo é permitir que os bancos de sangue façam dois testes diferentes, para verificar a presença do vírus que provoca aids no material recebido de doadores.
Atualmente, apenas um teste é realizado, empregando uma metodologia conhecida por Elisa, com análise baseada na pesquisa de enzimas. A confirmação da presença do HIV no sangue geralmente é realizada por um teste chamado Western Blot. No entanto, a medida do ministério não especifica quais exames devem ser feitos, apenas que os hemocentros utilizem metodologias distintas.
Além de maior controle em relação à aids e outras doenças transmissíveis pelo sangue, a nova verba será usada também para pagar os hemocentros do País que hoje só coletam o sangue e não fazem os exames preventivos. Muitos centros, principalmente os pequenos hemocentros de regiões mais afastadas
não dispunham de recursos para coletar o sangue e realizar os exames laboratoriais. Com a nova verba, esses hemocentros poderão processar o sangue e, com isso, receber do governo federal pela coleta.
Neste ano, a verba total prevista no orçamento do Ministério da Saúde para o setor cresceu para R$ 295 milhões, 19% a mais do que em 1998.
Recursos - O Estado de São Paulo receberá R$ 15,5 milhões. Somando esse valor ao restante dos recursos destinado ao Estado, São Paulo receberá R$ 95,5 milhões. Os novos recursos são carimbados, ou seja, os governadores terão de obrigatoriamente aplicá-los no setor.
Em 1996 o governo federal fez inspeção em 373 dos 1.500 hemocentros. O número aumentou para 587 no ano passado e chegará a 750 este ano. Essas unidades são responsáveis por 90% do sangue processado no Brasil. O ministro da Saúde, José Serra, disse que nos dias 5 e 6 de julho ocorrerá uma reunião para avaliar as inspeções feitas nos hemocentros envolvidos na suspeita de contaminação do sangue pela aids e hepatite B. O problema levou à interdição preventiva da linha de produção de albumina do Hemocentro de Pernambuco, dia 14 de maio.


