A situação voltou a ficar muito tensa ontem no 1º Batalhão de Polícia Militar em Palmas (Tocantins), onde cerca de 900 policiais militares estão aquartelados há 11 dias, quando soldados do Exército, fortemente armados e usando carros de combate, se colocaram em posição de ataque. O fornecimento de energia elétrica e de água foi cortado pela manhã. Há informações de que a comida no local é escassa. Um grupo de grevistas, muito tenso, quis ontem partir para o confronto, mas foi impedido. Houve até proposta de sair do batalhão, com bombas amarradas ao corpo, para conseguir água e alimentos para mulheres e filhos. Caso fossem presos, os policiais se suicidariam.
À tarde, carros de combate Urutu e Cascavel do Exército começaram a se posicionar a 20 metros do 1º BPM, enquanto soldados da 26ª Brigada Pára-quedista do Rio de Janeiro tomavam posições de tiro. Do outro lado, PMs mobilizaram viaturas que serviriam de proteção e se armaram de fuzis e metralhadoras.
‘‘Vamos conversar, vamos entrar em um entendimento’’, gritava o comandante dos pára-quedistas, coronel Cerqueira (que não quis revelar seu primeiro nome), aos aquartelados. Segundo ele, a posição das forças federais é um procedimento padrão, mas que quase acabou em conflito. Um disparo feito acidentalmente para o chão deixou a situação mais tensa. Tanto o Exército quanto os PMs negam a autoria do tiro, mas coube a um capitão pára-quedista pedir calma aos dois lados.
Momentos antes, um helicóptero fez vôos rasantes sobre o 1º BPM, jogando papéis que poderiam ser usados como salvo-conduto para quem quisesse desistir da greve. ‘‘Você percebeu quanta preocupação esta greve está trazendo ao povo tocantinense? Vale a pena expor crianças inocentes e mulheres a tantos risco? O Estado do Tocantins precisa da segurança de sua polícia. Ainda há tempo, use o bom senso’’, dizia o texto.
Pela manhã a prefeita de Palmas, Nilmar Ruiz (PFL), se propôs a ajudar na intermediação das negociações em nome do governo, mas reclamou que a interferência de políticos de oposição dificultava um acordo. Nilmar afirmou que não haverá retaliações aos PMs. ‘‘Há um avanço nas negociações, mas é ainda pequeno’’, disse a prefeita.
Segundo o presidente da Associação dos Sargentos e Subtenentes da PM de Tocantins, sargento Emanuel Aragão da Silva, com o corte de água e da energia não é possível fazer acordo. ‘‘O governador (Siqueira Campos) disse que não haveria retaliações, mas só essa atitude dos cortes prova que não podemos acreditar na palavra dele’’, afirmou Aragão, admitindo que o clima no 1º. BPM é de apreensão.
Os policiais querem reajuste salarial de 47% e, para fazer um acordo, exigem que os 13 PMs considerados líderes do movimento não sejam presos nem sofram retaliações, como transferências e punições administrativas.

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