Curitiba- A captação de ossos para abastecer o Banco de Tecidos Músculo-Esqueléticos (BMTE) do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), cresceu cerca de 550% nos últimos seis anos. Mas, diante da capacitação de um número maior de profissionais, a procura também aumentou significativamente. Além do HC, o banco atende a demanda do Norte do Paraná, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Bahia.
De acordo com o diretor presidente do BMTE, Gerson Tavares, quando o banco foi criado, eram feitas seis captações de tecidos e ossos por ano. Em 2005, foram realizadas 39, o que é um volume bem superior ao de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, que fizeram dez e três captações, respectivamente, no ano passado.
Tavares disse que, ontem, o Paraná completaria a sua sexta captação de ossos, desde o início do ano. A cirurgia seria realizada na noite de ontem, em Toledo, cidade que, em breve, terá médico capacitado para fazer o procedimento sozinho. O HC, explicou ele, oferece curso para os profissionais e fornece os kits para captação do material. Já há médicos especializados em Londrina, Florianópolis (SC), Cuiabá (MT) e Campo Grande (MS).
As equipes médicas capacitadas para retirar os ossos e tecidos de doadores estão se espalhando, mas não na mesma proporção que o número de profissionais cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde. Segundo Tavares, ontem, foi liberado o cadastramento para 39 dentistas e outros 60 ortopedistas, além de cerca de quatro cirurgiões buco-maxilo-facial e seis neurocirurgiões que trabalham com transplante ósseo.
Esse crescimento na demanda esbarra em outra dificuldade: a insuficiência de doadores. Tavares acredita que o problema esteja relacionado ao baixo número de notificações de óbito por parte dos hospitais de pessoas que poderiam ser potenciais doadores e na falta de pessoas capacitadas para fazer a abordagem aos familiares (a média é de um doador para cada 30 tentativas).
O médico defende campanhas de esclarecimento para incentivar a população a fazer a doação e que sejam, também, informativas para desfazer a falsa impressão de que o corpo do familiar ficará com deformações. Ele entende que outro desestímulo à doação é a burocracia imposta pelos órgãos públicos competentes e que obriga os familiares a esperarem por até 10 horas para dar início ao funeral. A cirurgia para retirar os tecidos e ossos demora, em média, quatro horas. O restante do tempo é gasto com as liberações, explicou.
Tavares disse que pretende pleitear junto ao Conselho Nacional de Transplantes maior brevidade na burocracia. Outra briga será para modernizar a distribuição do material. Segundo ele, existem técnicas que permitem que o material possa ser enviado de um estado para outro por Sedex, por exemplo. A prática já é adotada por países como Estados Unidos, França e Itália. O médico diz que no Brasil, só é permitido o transporte dos ossos ''frescos'' sob refrigeração, o que nem sempre é viável, dependendo da distância.
Somente no Paraná, a Central de Transplantes registrou 480 transplantes de ossos e tecidos em 2005. O número é quase 290% maior do que no ano anterior, quando houve 124 procedimentos.

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