Aumenta a tensão entre muçulmanos e hindus
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
France Presse 
Ahmedabad, Índia - Cinquenta e cinco mortos é o saldo parcial deixado pelo ataque contra um trem no qual viajavam ativistas hindus e que foi apedrejado e incendiado por uma multidão de muçulmanos no estado de Gujarat (oeste da Índia), segundo as autoridades locais.
Entramos no trem e havia corpos carbonizados por todas partes. A prioridade agora é controlar a situação, disse Jayanti Ravi, diretora administrativa do distrito de Panchamal, onde ocorreu o ataque, depois de voltar do local dos fatos.
Um toque de recolher foi imposto por tempo indeterminado e as autoridades alertam contra uma eventual explosão de violências inter-religiosas. No hospital local deram entrada 40 pessoas que apresentavam ferimentos e queimaduras de vários graus. O ataque ocorreu no estado de Gujarat, de maioria muçulmana. Neste trem extremistas voltavam da cidade de Ayodhya (norte), onde milhares de hindus se reuniram para manifestar a favor da construção de um templo no lugar onde havia uma antiga mesquita.
A mesquita de Babri, construção do século XVI, foi derrubada em 1992 por extremistas hindus. As violências intercomunitárias que se seguiram à destruição da mesquita deixaram 2.000 mortos.
O secretário do Interior de Gujarat, Gordhanbhai Zadafia, precisou que o trem foi bloqueado pouco depois de ter partido da estação de Godhra, no distrito de Panchamal.
Primeiro jogaram pedras e depois incendiaram os vagões. É difícil dar o número preciso dos mortos porque os corpos estão carbonizados e misturados com as cinzas e os restos do comboio, acrescentou.
O primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee condenou o ataque ao trem e afirmou que seriam tomadas medidas para impedir a expansão da violência.
Trata-se de um incidente muito trágico. Estamos muito inquietos em relação a este incidente. A segurança nacional será mantida custe o que custar, declarou Vajpayee.
O ministro do Interior, L.K. Advani, pediu ao governo de Gujarat que processe os culpados.
Teme-se que o ataque faça aumentar ainda mais a tensão na região, especialmente em Ayodhya, onde, apesar das advertências policiais e governamentais, cerca de 5.000 militantes hindus se reuniram para iniciar, no dia 15 de março, a construção de um templo no lugar em que se erguia a antiga mesquita.
As forças de segurança mobilizaram 3.000 efetivos no local e nos arredores, enquanto que outros 8.000 estão em estado de alerta, informou R.P. Singh, responsável pela polícia local.
Os hindus acreditam que a mesquita foi construída sobre o local onde nasceu a deidade Ram e pediram ao governo que lhes desse autorização para construir o templo em sua honra, coisa que o governo não fez, passando a questão para a justiça.
Nossa posição é clara em relação a Ayodhya. A solução não chegará nem da agitação, nem da violência. Existem dois caminhos possíveis, a discussão ou os tribunais, declarou o primeiro-ministro.


