Aumenta a expectativa de vida do brasileiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de dezembro de 2001
Luciana Nunes Leal<Br>Agência Estado - Do Rio de Janeiro 
Os brasileiros estão vivendo em média 2 anos, 7 meses e 6 dias a mais do que em 1991, segundo a Tabela de Vida divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa de vida da população passou de 66 anos em 1991 para 68 anos, 7 meses e 6 dias em 2000.
Para os homens, a esperança de vida ao nascer é de 64,8 anos, enquanto para a a mulher é de 72,6 anos. De 1999 para 2000, a média de vida no Brasil aumentou 72 dias. O órgão também constatou que, a cada ano, as mulheres vivem mais do que os homens.
No início da década a mulher vivia 7,2 anos mais que os homens, a diferença aumentou para 7,8 anos - ou 7 anos, 9 meses e 18 dias. Enquanto os homens tiveram, na década, um ganho de 27 meses de vida, as mulheres aumentaram sua expectativa em 34 meses. A principal explicação para as diferenças de médias entre homens e mulheres é o fato de que os homens são grandes vítimas das mortes externas, causadas por homicídios e acidentes, especialmente entre os 15 e 35 anos. Neste período, as mortes de mulheres são em muito menor quantidade.
O Rio Grande do Sul é o Estado com maior expectativa de vida ao nascer. A população gaúcha vive em média 71,6 anos. O Paraná ocupa o quinto lugar na tabela da vida com média de 70,3 anos. Já Alagoas registra o menor índice: 63,2 anos, mais de cinco anos inferior à média nacional. A população paulista vive em média 70 anos.
O Brasil ainda está distante dos países como Japão (81,5 anos), Suécia (80,1 anos) ou França (79 anos) e segue em um ritmo bem mais lento de crescimento da expectativa de vida do que há 20 ou 30 anos.
''A expectativa de vida crescia mais porque a mortalidade infantil estava caindo rapidamente'', avalia o demógrafo Juarez de Castro Oliveira, chefe da Divisão de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE. ''Agora o crescimento é mais lento. Os ganhos poderão vir da diminuição da mortalidade infantil e das causas externas.'' Apesar de ter tido uma queda considerável nos últimos 20 anos, a mortalidade infantil ainda é de 33 mortes por mil nascidos vivos.
Campanhas como do exame pré-natal, do aleitamento materno e de prevenção do câncer de mama e do aumento da pressão arterial são citadas por Juarez como bem-sucedidas iniciativas que ajudam a reduzir a mortalidade no País e, consequentemente, aumentam a esperança de vida. ''A gente espera que outras campanhas, como as de prevenção de acidentes no trânsito, venham a se refletir também nos novos números da expectativa de vida'', diz o demógrafo.
Também chamada de Tábua Completa de Mortalidade, a tabela do IBGE é um modelo demográfico que estima a esperança de vida para cada idade de brasileiros, entre 0 e 80 anos. Com base em registros civis de nascimentos e mortes e em índices do próprio instituto, os técnicos calculam as probabilidades de morte por idade e, em seguida, a esperança de vida.
Esta tabela de expectativa de vida dependendo da idade é também enviada pelo IBGE ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e serve de base para o cálculo das aposentadorias. É que o aumento da expectativa de vida implica alteração, mesmo que muito pequena, do fator previdenciário, que serve para calcular o valor pago aos aposentados.
Como há pesos e ponderações diferentes para cada item em cada idade, as expectativas variam. Para a população, a expectativa de vida ao nascer, ou seja, com zero de idade, é de 68,6 anos. Para uma pessoa de 40 anos, a expectativa de vida é de mais 33,9 anos (33 anos, 10 meses e 24 dias), o que somaria quase 74 anos, bem acima da esperança ao nascer. Já para uma pessoa de 60 anos, a expectativa é de mais 17,8 anos de vida. Ou seja, poderia chegar perto dos 78 anos.


