Em uma reunião marcada por protestos do movimento estudantil, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) definiu na tarde de ontem que as aulas serão retomadas na próxima terça-feira. Após três horas de discussão, a decisão revogou a resolução 22/2015, de 25 de maio, que suspendia o calendário de aulas em razão da greve dos servidores técnicos, docentes e estudantes. Ficou decidido que na segunda-feira não haverá aula por lembrança aos dois meses do cerco à Assembleia Legislativa, em Curitiba, que terminou com mais de 100 professores feridos.
O embate ocorreu porque os estudantes, que ainda continuavam em greve, não admitiam que a decisão fosse tomada antes da realização da assembleia do movimento estudantil, marcada para a noite de ontem. Eles reclamaram do sucateamento de laboratórios, a falta do repasse integral do custeio e, principalmente, a demora nas obras do Restaurante Universitário (RU), que só devem ser entregues no final de setembro.
Como forma de protesto, os conselheiros do movimento estudantil entraram com pratos e almoçaram durante a reunião do Cepe. Na sequência, outro grupo de 50 estudantes entrou na Sala de Conselhos e interrompeu a reunião durante cinco minutos com tambores e gritos de "ocupa", em menção à ocupação da reitoria da universidade na noite da última terça-feira. "Esta votação foi uma afronta aos estudantes e à educação pública de nosso País. Sem o RU, muitos alunos desistiram do curso por não ter condições se alimentarem. As aulas não podem voltar assim", protestou o estudante de Filosofia, Franco Pereira Leite.
Segundo a reitora da UEL, Berenice Quinzani Jordão, uma nova reunião do Cepe será agendada na próxima semana para deliberar sobre o calendário acadêmico, considerando a reposição de aulas da graduação, pós-graduação e inclusive sobre o período de inscrições para o Vestibular 2016. A reitora disse também que a data da aplicação das provas do concurso, realizado historicamente nos meses de novembro e dezembro, merecerá uma reunião específica.

NEGOCIAÇÕES

Depois de dois dias de negociações, a desocupação da reitoria continuava indefinida até a noite de ontem. Após receber a contraproposta dos representantes do movimento estudantil, a reitora apresentou um novo termo de compromisso em que estende a concessão do valor mensal de R$ 100, anteriormente proposto aos selecionados pela Bolsa Permanência, também a estudantes da Moradia Estudantil, somando assim 182 beneficiários.
De acordo com a assessoria de imprensa da UEL, a proposta seria a última apresentada pela reitora, que considera encerrado o período de negociação. Pelo documento, os estudantes tinham até às 22 horas de ontem para dar uma reposta. Caso os estudantes rejeitassem a proposta, mantendo a condição de ocupação do prédio, a reitora poderia solicitar a reintegração do prédio.
"Nós temos que retomar as aulas para dar conta de cumprir o calendário. A reitoria não dará nenhuma orientação para que dê falta aos alunos que continuarem em greve, até porque consideramos justa a causa deles. A retaliação é uma percepção que os alunos estão tendo precipitadamente. A universidade tem mecanismos institucionais para punir eventuais represálias", concluiu a reitora.

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