O Cepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) da UEL (Universidade Estadual de Londrina) aprovou na tarde de segunda-feira (19) que as aulas na instituição serão retomadas nesta terça-feira (20). Com isso o calendário acadêmico deverá ser mantido, com o acréscimo de um dia a mais nas atividades programadas ao longo do ano. O início das aulas havia sido suspenso pela reitora Berenice Jordão, após publicação de decreto do governo do Estado na sexta-feira (16), que vetava a carga horária requisitada por instituições estaduais de ensino superior para a contratação de docentes temporários. No decreto 9.026/2018, o governador Beto Richa autorizava a UEL a contratar apenas 2.304 horas, carga horária considerada insuficiente para atender às necessidades da instituição, que sofre com o deficit de professores em todos os departamentos. A demanda é de 8.900 horas até o final de 2018.

Um novo decreto do governo do Paraná revertendo a medida foi encaminhado na manhã desta segunda-feira às universidades estaduais e autoriza a contratação de professores em regime especial, em um total de 54.945 horas. Para a UEL foram autorizadas 4.000 horas, volume que na avaliação do Cepe é suficiente apenas para atender o primeiro semestre. Diante disso, o Conselho aprovou também um indicativo de suspensão das atividades, caso o governo estadual não libere mais 4.900 horas até a primeira semana de julho. "Se não houver uma decisão do governo sobre autorizar as horas adicionais que estão faltando, já está com indicativo de suspender o segundo semestre do ano letivo", declarou Berenice Jordão.

O novo decreto foi encaminhado à reitora pelo secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes. Segundo ele, as necessidades futuras advindas de rescisões contratuais, mortes ou aposentadorias estão previstas no documento. O anterior, assinado na sexta-feira, já previa essa possibilidade de revisão do número de temporários, destacou o secretário, e por isso a previsão de admissões era menor que o solicitado pelas entidades. "Mas eu argumentei ao governador (Beto Richa) que não daria tempo de rever estes números sem ter dificuldades no início do semestre", declarou Gomes.

ANO LETIVO
Em razão da publicação do decreto na sexta-feira, na noite de sábado (17) a reitoria da UEL encaminhou um Boletim Informativo aos docentes, alunos de graduação e servidores técnico-administrativos comunicando a suspensão do início do ano letivo, marcado para esta segunda-feira, e convocando o Cepe para discutir a questão. Mesmo com a mudança de posicionamento do governo, a reunião do conselho foi mantida e realizada na tarde desta segunda. "Nós já tínhamos feito os encaminhamentos todos que nos cabiam fazer, antecipando o processo de contratação dos docentes. Já houve processo seletivo, tínhamos chamado esses docentes para fazerem seus exames e estávamos apenas aguardando a autorização do governo. Eles estão aptos a assumir o cargo e agora é só assinar o contrato. O processo deve demorar cerca de 30 dias", observou Jordão.

A reitora explicou que a suspensão do início do ano letivo foi necessária porque não seria possível começar as aulas com a garantia de apenas 2.304 horas e tentar negociar com o governo as outras 1.696 horas restantes. "Teríamos muitos cursos afetados. Para começar as aulas e logo ter que interromper, como fez a Unicentro, seria um impacto muito grande. Agora, com as 4.000 horas autorizadas, cabe a nós fazermos a gestão de contratar os professores adequados para atender as primeiras necessidades e negociar para chegar a 8.900 horas ao longo do ano", esclareceu a reitora.

Além da UEL, o novo decreto contempla outras seis instituições. O governo autoriza a contratação de 6.300 horas para a UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), 15 mil horas para a UEM (Universidade Estadual de Maringá), dez mil horas para a Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), 7.600 horas para a Unioeste (Universidade do Oeste do Paraná), 4.045 horas para a UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná) e 8.000 horas para a Unespar (Universidade Estadual do Paraná). No fim de semana, além da UEL, a Unicentro também anunciou a suspensão do calendário letivo.(Colaborou Luís Fernando Wiltemburg)

Calouros ficam frustrados com a suspensão do início das aulas

Na manhã desta segunda-feira (19), era pequeno o movimento de alunos no campus da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Em alguns centros de estudo, veteranos realizaram a recepção aos calouros, mas com a divulgação da notícia sobre a suspensão do início do calendário letivo, nem todos os ingressantes compareceram à universidade.

Na Pró-Grad (Pró-reitoria de Graduação), o processo de confirmação de matrícula, que deveria acontecer entre os dias 19 e 23 de março, também foi suspenso. Boa parte dos alunos que foram até o local estava interessada em agilizar o processo de cadastramento para o cartão transporte, que dá direito a desconto ou isenção na tarifa de ônibus. Mas entre eles era visível a frustração com o atraso no início das aulas.

"Fiquei desapontada porque era para as aulas começarem em março já devido ao atraso no calendário por causa da greve e agora vai atrasar de novo. Acho que poderiam iniciar as aulas em alguns cursos, mas entendo que há cursos que não têm condições de iniciar o ano letivo. Se começasse, os alunos ficariam sem aulas", disse a caloura do curso de bacharelado em física Ana Paula Rodrigues dos Santos, que foi até a UEL na esperança de ter alguma atividade acadêmica.
A aluna também reclamou da decisão "em cima da hora". "Eles não divulgaram a suspensão do calendário como deveria ter sido. Foi comunicado muito em cima da hora."

Caloura do curso de farmácia, Caroline Gondo, que mora em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), já estava instalada em um pensionato quando soube que as aulas não teriam início nesta segunda-feira. Mesmo assim, foi até a UEL para entregar o formulário para cadastramento no transporte escolar. "Fiquei bem decepcionada. Queria que as aulas começassem logo, o quanto antes. E tem gente que deixou de viajar para estar aqui porque teria que confirmar a matrícula e a confirmação também foi suspensa."

"Eu queria mais informações sobre os motivos dessa suspensão. Não sei direito o que está acontecendo. Mas se estiver faltando professores, não adianta começar as aulas", afirmou a caloura do curso de relações públicas, Paula Shingo.

No Anfiteatro Maior do CLCH (Centro de Letras e Ciências Humanas), o colegiado do curso de ciências sociais e integrantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) organizaram uma recepção aos calouros para explicar o significado do decreto nº 9.026, publicado na sexta-feira (16) pelo Governo do Paraná autorizando a contratação de professores temporários para preenchimento de apenas 2.304 horas, o que a decisão implica para a universidade e como não permite o funcionamento da instituição. "Não estamos falando apenas sobre um decreto que aumenta ou diminui as horas aula de docentes. Na universidade não apenas damos aula. São muitas outras questões e é importante que as pessoas, inclusive a comunidade externa, tomem conhecimento disso, que precisamos brigar por uma universidade pública de qualidade e precisamos mostrar tudo o que a UEL faz", disse a vice-coordenadora do colegiado, Marta Ramirez Galvez.

O colegiado havia programado atividades de recepção aos calouros, mas com a suspensão das aulas, disse Galvez, o conteúdo foi alterado. "Fomos pegos de surpresa pelo decreto do governador e, posteriormente, pela decisão da reitoria e da Unicentro. Para os alunos, que têm a expectativa de chegar na UEL, é muito frustrante, cai como um balde de água gelada."

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