Aulas de cidadania ganham prêmio
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma boa idéia e muita vontade de gerar mudanças. Essas eram as duas armas que três professoras da Escola Municipal Ulisses Falcão Vieira, em Curitiba, tinham, em 1994, para ensinar na prática cidadania aos seus alunos. Tudo começou com a interpretação do Hino Nacional e a gravação da canção com sotaque paranaense. Outras duas professoras ingressaram no trabalho e o passo seguinte foi o estabelecimento de normas de conduta dentro da escola, o que acabou gerando o projeto Detetive do Meio Ambiente. Depois de quase nove anos de sucesso, elas vão receber o prêmio Incentivo à Educação Fundamental 2003, que será entregue pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 15 de outubro, Dia do Professor.
''Começamos a perceber que as crianças comentavam algumas coisas que aconteciam na comunidade ou na própria escola, como pichações, por exemplo. Daí sentimos a necessidade de criar normas de conduta dentro da escola e ensinar às crianças a importância de respeitá-las'', conta a professora Marisete de Souza Lacerda, que vai receber o prêmio representando suas colegas Ana Luiza Gorki, Dione dos Santos Faria, Esther Strumpfner e Maria Izabel Kierski. Temas relacionados à conduta foram levados para a sala de aula, elegendo sempre no final do debate um aluno para ser o detetive da classe. Isso é, um fiscal para vigiar se todos estavam cumprindo à risca as regras de comportamento.
Foi com base nas discussões em sala de aula que surgiu a Agenda 21 da escola. Baseada no modelo feito pela Organização das Nações Unidas (ONU), que trata de questões gerais de cidadania, a agenda foi readaptada para tratar de assuntos pertinentes à realidade da escola. ''A agenda tem tópicos como saúde, alimentação, a importância de cuidar do meio ambiente, o que se deve fazer para economizar água e energia, reciclagem de lixo, entre outros'', explica a professora Esther, que entrou no projeto em 1998. Como parte do projeto, um bosque de 3 mil metros quadrados, que pertence à escola e que estava destruído pela erosão, foi recuperado pelos alunos. As crianças estão plantando no local e aprendendo a usá-lo de maneira responsável.
O único auxílio financeiro que as professoras têm tido é a bolsa do programa municipal Fazendo Escola. É o quarto ano que o projeto delas recebe o incentivo da Prefeitura de Curitiba, que ajuda com R$ 200 por mês durante o período letivo. Faz parte também deste programa o acompanhamento de professores e alunos universitários na área de meio ambiente. Este ano, a escola municipal conta com o apoio do Centro Universitário Positivo (Unicenp).
''Plantamos uma semente e não tínhamos noção da proporção que ela tomaria. Conseguimos atingir até os familiares. Muitas mães comentam que os filhos fazem questão de ensiná-los a agir corretamente com o lixo e com o gasto de energia e água em casa'', comemora Marisete. O projeto das professoras curitibanas foi escolhido entre outros 193 trabalhos do Paraná, para representar o Estado nacionalmente. Junto com ele, foi aprovado um projeto de uma professora paranaense da rede municipal de ensino de Rio Negro. O prêmio, de R$ 5 mil, é concedido aos professores de 1 a 4 série que desenvolveram os 20 melhores projetos do País na área da educação.


