Londrina – Com 32 dias de atraso por conta da greve dos professores e funcionários, enfim teve início ontem o ano letivo nas escolas estaduais do Paraná. Em Londrina, a volta às aulas ocorreu sem transtornos. Os professores receberam os alunos e, após breve explicação sobre os motivos da greve, começaram a passar o conteúdo.
Como o calendário ficou apertado, os estudantes terão apenas uma semana de férias em julho e as aulas estão previstas para terminar a dois dias do Natal. De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Lúcia Cortez, o primeiro dia do ano letivo foi tranquilo para os cerca de 100 mil alunos dos 19 municípios de abrangência do NRE, 50 mil de Londrina.
No Colégio Vicente Rijo, o maior da cidade, os primeiros alunos chegaram por volta das 6h30. Aos poucos, foram se reunindo em grupos em frente aos portões. Houve fila para consultar a lista de ensalamento dos 1,8 mil alunos fixada no mural. Willian Henrique de Souza, de 14 anos, estava ansioso para enfim cursar o nono ano. "Apesar de apoiar a causa dos professores, tinha medo de que a greve se estendesse mais, o que seria ruim para nós", comentou.
Para a aluna Taynara Barbosa Trindade, 15 anos, a volta às aulas ocorreu em um bom momento. "Ainda bem que terminou a greve e os professores conseguiram vitórias importantes, isso é bom para a qualidade da educação", opinou. Os pais de alunos também comemoraram o fim da greve. "Chega uma hora em que, mesmo apoiando os professores, que são como pais para nossos filhos, ficamos muito preocupados com a situação, com medo de eles perderem o ano", contou o corretor de imóveis Aparecido Nunes, de 53 anos.
De jaleco branco e com o material das aulas nas mãos, a professora de matemática Marilda Schmeisch chegou ao colégio recebendo cumprimentos de colegas e alunos. "Travamos negociações difíceis e conseguimos algumas garantias do governo de que não teremos retrocesso nos nossos direitos, principalmente dos que influenciam no dia a dia da escola", comemorou.
O fim da greve foi motivo de alívio para Kevin Yudi Schimabukuro, de 17 anos. Recém-chegado de Campo Grande, o garoto vai cursar o terceiro ano do Ensino Médio de olho em uma vaga no vestibular de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Estava muito preocupado porque, além da dificuldade de adaptação, tinha a greve. Mas, felizmente, tudo terminou bem. Agora o jeito é pegar firme nos estudos", afirmou. A diretora auxiliar do Colégio Hugo Simas, Carolina Guerreiro Leme, contou que o retorno foi tranquilo e sem incidentes. "Tudo transcorreu dentro da normalidade. Os professores já haviam feito o planejamento das aulas. O importante é que os alunos não serão prejudicados", ressaltou.
No Colégio Polivalente (Zona Oeste), os estudantes foram recepcionados com bexigas e aplausos. "Ver os professores motivados é muito bom", observou o aluno do primeiro ano Yuri Pereira Sakakura, de 15 anos. Algumas salas estavam sem professores, mas o diretor Antônio Carlos de Camargo garantiu que, até segunda-feira, todos os problemas pontuais serão corrigidos. "Os professores já estão chegando para assumir as turmas e logo teremos o quadro completo", assegurou Camargo.
No NRE, os funcionários ainda faziam distribuição de aulas. A chefe informou que o chamamento é diário. "O chamamento é feito praticamente todos os dias, para compensar a saída de professores que pedem indenização, saem de licença. Mas estamos preparados para evitar transtornos maiores para as escolas", explicou.

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