Brasília, 30 (AE) - O deputado Augusto Farias (PPB-AL) foi acusado hoje pelo traficante e caminhoneiro Jorge Meres de ter beneficiado-se da morte do irmão, o empresário Paulo César Farias, e confirmou a denúncia de que o parlamentar faz parte de uma quadrilha, envolvendo o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), de tráfico de drogas e armas com conexões em vários Estados do País e na Bolívia. O traficante, que acusou o grupo de assassinar oito pessoas, entre elas o delegado Stênio Mendonça, que investigava o esquema, deu as declarações em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara. Augusto Farias deve ser ouvido na próxima semana pela CPI.
Os deputados aprovaram hoje, por unanimidade, o pedido de abertura da cassação do mandato do deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o "Zé Alex", que assumiu na vaga deixada por Pascoal, por quebra de decoro parlamentar. O requerimento da cassação foi encaminhado à presidência da Câmara para que a decisão da CPI seja apreciada. O relator da comissão, Moroni Torgan (PFL-CE), acredita que a Câmara irá apreciar o pedido n um prazo máximo de 30 dias. Torgan e mais três deputados da bancada do PFL na CPI também querem fechar o cerco à "Zé Alex" no partido. Ele enviaram à Executiva Nacional do PFL uma carta defendendo a expulsão de "Zé Alex" da legenda, alegando que o pefelista é acusado de participar de grupos de extermínio e de tráfico de drogas com Pascoal, que foi cassado e expulso do PFL.
Meres disse à CPI que o grupo de Augusto Farias e Pascoal tem conexões em vários Estados, entre os quais Alagoas, São Paulo, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins e Acre, e envolve policiais e juízes.
Segundo ele, a quadrilha roubava caminhões nos Estados e vendia-os na Bolívia em troca de armas e drogas. De 1994 a 1996, foram roubados 46 carretas Scania e 4 Volvos, além de cargas com remédios e cigarros.
Cada carreta era vendida em troca de armas e drogas por R$ 38 mil, remédios e cigarros por R$ 400 mil a R$ 600 mil.
Para conseguir transportar o material roubado, as drogas e armas, a quadrilha "pagava" em torno de US$ 2,5 mil para policiais nas fronteiras e conseguia cartas de juízes do Maranhão, identificados por José Arimatéia e José Ribamar, para, segundo ele, regularizar as cargas. Sobre o envolvimento de Augusto Farias com o grupo, Meres disse que, em 1996, viu o deputado em reuniões no Village Palace Hotel e Real Palace Hotel. Ele trabalhava para o advogado William Marques, também integrante da quadrilha, que tinha um escritório central em São Paulo, num prédio onde PC Farias mantinha um dos gabinetes.
Em 1997, o caminhoneiro participou de um encontro com Pascoal, Augusto Farias e o deputado estadual José Gerardo (PTB-MA), quando foi decidido que Stênio Mendonça seria assassinado.
"PC tinha empresas em nome de William e, com sua morte, passou a controlá-las", disse Meres. Segundo ele, Augusto Farias também lucrou com a morte do irmão porque herdou muitas das empresas dele. Na terça-feira (05), a CPI fará uma acareação entre o caminhoneiro e William Marques. O depoimento de Augusto Farias deve ocorrer na terça ou quarta-feira (06). O deputado negou envolvimento com a quadrilha e disse que não conhece o caminhoneiro.

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