Curitiba- Duas auditorias feitas nos anos de 2002 e 2003 apontavam falhas de manutenção em vários trechos da malha ferroviária do Paraná. O primeiro relatório multidisciplinar foi assinado no dia 20 de março de 2003 e mostrou deficiências estruturais em vários trechos dos 800 quilômetros de ferrovias da concessionária América Latina Logística (ALL). Na madrugada de segunda-feira, mais um acidente de trem envolvendo a empresa foi registrado na Serra do Mar, litoral do Paraná. Trinta e cinco vagões descarrilaram e caíram da ponte sobre o Rio São João.
O estudo acusando falhas foi assinado por engenheiros e técnicos do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea), Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste), Associação de Engenheiros da Rede Ferroviária Federal, Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias nos estados do Paraná e Santa Catarina (Sindifer), Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
Os principais pontos levantados foram: presença de vegetação abundante em todos os trechos, dificultando a visibilidade do maquinista na condução e na verificação de qualquer anomalia na composição do trem; trilhos com juntas defeituosas, problemas de nivelamento, alinhamento e fambagem longitudinal; trilhos com defeitos superficiais e desgastes acentuados em alguns trechos; taxa de dormentação em mau estado; aplicação de dormentes novos com rachaduras e sem tratamento; falhas de fixação de trilhos e em talas de ligação em determinados trechos; problemas de drenagem e água empossada no leito da linha; travessia irregular de gatos no trecho entre Pinhais e Iguaçu colocando em risco a segurança dos trens de combustível e da população local; falta de pintura e conservação de pontes metálicas.
A comissão recomendou em caráter de urgência uma nova inspeção na malha ferroviária do Estado dando prioridade para o corredor de exportação Apucarana-Paranaguá, com ênfase no subtrecho Curitiba-Paranaguá. A intenção era a de ''garantir a segurança dos passageiros, dos trabalhadores ferroviários e do meio ambiente, com o intuito de evitar novos acidentes''. Foi exatamente no trecho apontado pelo relatório, que o acidente aconteceu. Nenhuma outra auditoria oficial na malha ferroviária foi feita depois desta.
O diretor de Relações Corporativas da ALL, Pedro Roberto de Almeida, disse que todos os problemas foram corrigidos. Ele admitiu ser impossível que toda a malha esteja em excelentes condições por causa da vida útil dos dormentes. ''Às vezes se verifica um trecho e ele tem manutenção imediata. Depois outro trecho e assim sucessivamente. Mas a gente só consegue arrumar um defeito depois que ele é verificado'', argumentou Almeida.

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