Auditoria mostra apenas dois contratos entre Incal e Grupo OK
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Fausto Macedo 
São Paulo, 05 (AE) - Auditoria da Receita Federal constatou que a Construtora Ikal e a Incal Incorporações - responsáveis pela execução da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo - realizaram apenas dois contratos de empréstimos com o Grupo OK, do senador e empresário Luiz Estevão (PMDB-DF). Por meio de uma perícia denominada verificação de resultados - cruzamento de informações lançadas em livros contáveis e escrituração de contas -, compreendendo o período entre 1992 a 1997, os auditores identificaram empréstimos em "valores inexpressivos". Os técnicos da Receita ainda vão examinar dados referentes ao exercício de 1998.
Essa informação coloca sob suspeita a versão do empresário Fábio Monteiro de Barros Filho que argumentou, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Poder Judiciário, ter tomado 14 empréstimos do Banco OK, instituição financeira que integra o grupo de Estevão. A partir do relato do empreiteiro, a Receita notificou a Ikal e a Incal para que exibissem os contratos.
Os auditores do Tesouro descobriram que as empresas de Monteiro de Barros não contabilizaram 12 operações desse gênero. Há referências a apenas dois empréstimos.
A CPI havia descoberto, antes do recesso, transferência de recursos da Ikal e da Incal para empresas do senador, principalmente a Saenco e a Moradia, que operam no ramo da construção. A Saenco teria arcado com os custos iniciais da obra do fórum. Ao todo, Monteiro de Barros repassou R$ 17 milhões para o Grupo OK. A CPI deu prazo de uma semana para que Monteiro de Barros justifique essas transações.
O empreiteiro alegou que os financiamentos obtidos com a OK serviram para cobrir despesas pessoais e da empreiteira depois que a Justiça Federal, acolhendo ação cautelar movida pela Procuradoria da República, decretou o bloqueio de seus bens, aplicações e contas bancárias. Sobre os depósitos em favor das empresas do senador, Monteiro de Barros afirmou que foram feitos para quitar os empréstimos realizados anteriormente.
A identificação do fluxo de valores da Ikal e da Incal para empresas de Estevão reforçou a suspeita do Ministério Público Federal sobre ligações ocultas dos dois grupos empresariais. O Ministério trabalha com a hipótese de que a licitação para construção do fórum foi forjada e beneficiou Estevão. O empreendimento consumiu R$ 269,9 milhões - em valores atualizados para março - e está abandonado há quase um ano. A Receita e o Tribunal de Contas da União (TCU) constataram desvio de R$ 169 milhões da verba investida na obra.
A Ikal não existia, em 1992, quando a Incal ganhou a concorrência. O Grupo OK participou do certame, mas foi derrotado por uma pequena margem de pontos. Na época, Estevão limitou-se a apresentar um recurso administrativo, que foi rejeitado pela Comissão de Licitação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). As primeiras suspeitas surgiram quando procuradores da República descobriram que engenheiros, técnicos e outros profissionais qualificados do OK trabalharam para a Ikal na obra do fórum.


