Rio, 08 (AE) - O Ministério da Saúde conseguiu economizar 10% do orçamento dos 11 hospitais federais do Rio com a auditoria e o recadastramento das empresas prestadoras de serviços. O trabalho, praticamente concluído, garantiu uma redução anual de despesas de R$ 25,2 milhões dos R$ 250 milhões destinados às unidades localizadas no Estado. "É o equivalente ao orçamento de um hospital grande, como o do Andaraí", comemora a chefe do escritório do ministério no Rio, Ana Tereza da Silva Pereira.
Foram renegociados os contratos dos serviços de vigilância, limpeza, manutenção, oxigênio líquido e outros gases. No caso de oxigênio, o ministério enfrentou um cartel e com a contratação de novos fornecedores houve uma economia de 73%. As licitações de lavanderia e nutrição estão suspensas por liminares conseguidas pelas empresas. "Se conseguirmos fechar também essas duas, a economia vai chegar a R$ 30 milhões", calcula Ana Tereza.
A chefe do escritório acredita que o ralo por onde escoava a verba do ministério foi aberto por problemas de gestão do dinheiro e ampliado por irregularidades. Por exemplo, não era raro ser cobrado o quilo de roupa molhada e foram encontrados até casos de pedras na balança, como nas feiras-livres. Nos últimos dois anos, houve uma redução de 51% nos valores cobrados pelas prestadoras de serviços.
Desvio - Além disso, as direções dos hospitais costumavam contratar nas empresas de limpeza pessoas para executar desde o trabalho de carregador de macas até secretária. Nos hospitais do Andaraí, Bonsucesso e Lagoa havia 370 contratados com desvio de função. Segundo Ana Tereza, as empresas pagavam um salário abaixo da função que essas pessoas executavam e ainda cobravam o material de limpeza que seria consumido, caso todos estivesssem no cargo correto. "Essa situação criou um problema, porque proibimos o desvio da função terceirizada, mas começou a faltar gente na função correta", conta.
Por intermédio de uma consultoria externa, o ministério contratou funcionários para esses cargos - e, só no Andaraí, apesar de o salário dos novos contratados ser maior do que o dos desviados, a economia foi de 85% no custo, por causa da redução no gasto de material.
Medicamentos - Agora, o escritório do Rio está montando um programa de compra de medicamentos, priorizando laboratórios oficiais e, no no´próximo ano deverá atacar a compra de material médico-hospitalar. "Poderemos chegar a uma economia de 20% a 25%", espera Ana Tereza. Ela garante que o orçamento não diminuiu: como o dinheiro está sendo reinvestido nos hospitais, mudou a proporção de gasto. "Antes, 80% era gasto com serviços hoje, baixamos para 53%, o que nos permitiu gastar mais em remédios e material", diz.

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