Curitiba- A Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho (AAFT) do Paraná fez ontem um ato em homenagem aos três fiscais que foram assassinados na última quarta-feira, em Minas Gerais, quando investigavam denúncias de trabalho escravo na região. Os auditores lotados no Paraná protestaram contra a falta de estrutura e de segurança no trabalho de fiscalização, uma vez que, segundo Luiz Felipe Bergman, diretor da AAFT no Estado, a morte dos fiscais ocorreu, justamente, pela falta de estrutura e de segurança na fiscalização.
Os auditores fiscais prometem uma paralisação nacional, que deve durar um dia, para a próxima semana, para pressionar o governo federal. ''Queremos sensibilizar e pressionar o governo para que atenda às nossas reivindicações'', disse Bergman. Segundo ele, há falta de viaturas e de combustível, manutenção precária nos veículos, diárias baixas (de aproximadamente R$ 60 para custear a hospedagem e alimentação dos fiscais em viagens), e a falta de policiais para escolta. ''Sofremos ameaças constantes. Nosso dia a dia é sempre uma incógnita e o medo é constante'', disse o auditor fiscal Nailor Grossel.
No Paraná trabalham aproximadamente 140 auditores fiscais, um número muito pequeno, segundo Bergman. ''O número pequeno de fiscais também é um agravante. Os fraudadores se fortalecem com a fragilidade do sistema'', disse Grossel.
Para a próxima segunda-feira está agendada reunião com auditores fiscais do Paraná. Segundo o delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, serão debatidas alternativas para garantir a segurança dos auditores fiscais nas fiscalizações. ''O acompanhamento de policiais federais ou militares é uma política a ser adotada'', disse Serathiuk. Na reunião, também serão anunciadas mudanças na metodologia de fiscalização urbana e rural para 2004, que devem ser diferenciadas.
De acordo com Serathiuk, cerca de 80% dos trabalhadores rurais do Paraná encontram-se na informalidade. Os setores que mais concentram o trabalho informal são os de café, hortaliças, criação de frango, fumo e mandioca. ''Precisamos combater o trabalho informal. Esta é, e sempre foi, a nossa meta'', disse.

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