Londrina - O auditor fiscal Marcio de Albuquerque Lima foi exonerado do cargo de inspetor geral da Coordenação da Receita Estadual no Paraná. A exoneração ocorreu na última segunda-feira, dia 2 de março. No entanto, o decreto só foi publicado no Diário Oficial ontem, um dia após o nome do inspetor constar na lista de auditores fiscais investigados pelo Ministério Público por suspeita de corrupção.
Até o final da tarde de ontem, o nome de Marcio de Albuquerque Lima permanecia no site da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) como o representante do setor de Inspetoria Geral de Fiscalização da Receita Estadual. Mesmo com a exoneração do cargo comissionado, Lima continua no quadro de servidores como auditor fiscal. Um funcionário do setor de fiscalização em Curitiba informou apenas que o auditor está em férias desde o dia 2. A assessoria de imprensa não retornou as ligações para esclarecer os motivos da exoneração.
O Ministério Público investiga Lima e outros cinco auditores de Londrina por suspeita de cobrança de propina, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Na quinta-feira, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços relacionados a 21 pessoas e 20 empresas de Londrina e região, além da Capital. Documentos e computadores também foram recolhidos em cinco escritórios de contabilidade.
As investigações foram iniciadas após a informação de que o proprietário de um estabelecimento comercial do setor de vestuário teria pago R$ 200 mil em propina a um auditor da Receita Estadual em Londrina. Os promotores suspeitam da existência de empresas em nome de parentes e de terceiros que teriam sido utilizadas para encobrir o esquema. O Ministério Público aguarda a colaboração de empresários e contadores para mensurar o enriquecimento ilícito. Uma equipe formada por quatro auditores deve analisar todo o material apreendido.
Lima chegou a ocupar o cargo de delegado da Receita Estadual em Londrina. Além dele, são investigados Luiz Antônio de Souza, José Luiz Favoreto Pereira, Orlando Aranda, Marco Antônio Bueno e Antônio Carlos Lovato. Os três primeiros estão presos por suspeita de envolvimento em crimes de exploração sexual, em outra investigação conduzida pelo Gaeco. Marco Antônio Bueno e Antônio Carlos Lovato permanecem no exercício das funções.
De acordo com o delegado da Receita Estadual em Londrina, Marcelo Melle, os dois servidores serão remanejados para o cumprimento de serviços internos. "O objetivo é evitar o contato direto entre auditores e empresários até o esclarecimento dos fatos. Já mudamos toda a parte gerencial do setor de fiscalização e pretendemos mudar as formas de fiscalização também. As informações que envolvem esses servidores serão encaminhadas para a Corregedoria da Receita", afirmou.
Melle assumiu o cargo no dia 18 de fevereiro com a missão de reestruturar o órgão. Os advogados dos auditores não foram localizados para dar entrevista. Os auditores presos já são alvo de sindicância interna. Mesmo afastados do cargo, eles continuam recebendo salários que variam de R$ 25 mil a 30 mil, conforme o Portal da Transparência do Governo do Estado.

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