Londrina – Um auditor da Receita Estadual, de 48 anos, foi preso em flagrante dentro de um motel da Zona Sul de Londrina com uma adolescente de 15 anos e uma jovem de 19. A prisão foi feita depois que a promotoria da 6ª Vara Criminal de Londrina recebeu informações sobre a ocorrência do crime de exploração sexual dentro do estabelecimento. A prisão, realizada com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ocorreu na tarde de ontem.
De acordo com a promotora Suzana Lacerda, o homem pagaria R$ 2,5 mil para o programa com a adolescente, que seria virgem. A jovem de 19 anos é irmã da adolescente e teria aliciado a menor. Conforme a promotora, o auditor permaneceu calado durante depoimento. "A jovem confirmou o pagamento pelo programa com a adolescente e disse ainda que já havia fornecido outras garotas de programa para o mesmo homem mediante pagamento", destacou Suzana. Conselheiros tutelares acompanharam o depoimento da adolescente, que teria confirmado o recebimento de parte da quantia combinada.
No motel, os policiais também encontraram R$ 22,5 mil em dinheiro com o auditor. "Para esse tipo de prisão em flagrante, basta ser constatada a situação de exploração sexual. Não necessariamente a questão do pagamento. Ali, no caso, reunia toda a situação de exploração. O que ficou evidenciado após o flagrante é que essa não seria a única menina. Já teriam ocorrido programas anteriores mediante esse montante em dinheiro", ressaltou Suzana. Os detalhes da investigação não foram revelados.
Até o final da tarde de ontem, o auditor e a jovem de 19 anos permaneciam detidos. A adolescente de 15 anos foi levada por conselheiros tutelares para a família. A Polícia Civil terá dez dias para concluir o inquérito e encaminhar para a promotoria. Se condenados, os dois poderão responder pelo crime de favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual de vulnerável. A pena varia de quatro a 10 anos de reclusão.

Infraestrutura
A promotora Suzana Lacerda reforçou que a falta de estrutura prejudica as investigações em Londrina. A 6ª Vara Criminal acumula a apuração de fatos ligados à violência doméstica e crimes de abuso contra crianças e adolescentes.
"A delegada do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vitimas de Crime) está em férias. Não é sempre que o Gaeco tem disponibilidade para me dar apoio. Você ter uma delegacia em que o perfil dos policiais seja nessa área faz toda a diferença. Essa delegacia teria que ter psicólogos e assistentes sociais para receber essa adolescente, por exemplo", explicou. A reportagem da FOLHA esteve na sede da nova delegacia. A informação repassada por servidores foi de que o imóvel teria sido ocupado nesta semana. Na estrutura, faltam desde funcionários até uma linha telefônica, que ainda não foi instalada.
De acordo com a assessoria da Polícia Civil em Curitiba, a implantação da delegacia do Nucria está na fase final de estruturação. A assessoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não se pronunciou em relação à criação de uma vara criminal em Londrina específica.

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