O auditor Alberto Moreira Sena, da Receita Federal, foi flagrado anteontem, às 20 horas, pela Polícia Federal do DF no estacionamento de um shopping tentando receber uma propina de R$ 200 mil de dois empresários. Chefe-substituto de Fiscalização da Superintendência da Receita em Brasília, tinha currículo limpo em quatro anos de trabalho. Os empresários haviam denunciado Sena por tentativa de extorsão ao secretário da Receita, Everardo Maciel, há 15 dias.
O auditor ainda tentou reagir à prisão, mas foi detido e levado para a Superintendência da PF do DF, onde está preso. Sena negou-se a prestar depoimento ao chefe da Delegacia de Entorpecentes, Paulo Tarso Oliveira Gomes, que efetuou a prisão. ‘‘Ele disse que só falará em juízo’’, revelou o delegado. Gomes passou a noite transcrevendo as ligações telefônicas gravadas entre o funcionário da Receita e os empresários.
Ontem pela manhã, Paulo Tarso enviou as transcrições e o auto de flagrante à Justiça Civil. O auditor Alberto Moreira Sena foi enquadrado no Inciso 2 da Lei 8.137/90, que trata de Crimes Funcionais contra a Ordem Tributária. O crime é inafiançável e a pena prevista é de três a oito anos de reclusão.
Ontem mesmo foi designado um advogado para o auditor, casado, morador da cidade satélite Guará II, com nível superior. Como tem bons antecedentes, endereço e empregos fixos e é réu primário, o auditor poderá ter uma pena menor. O delegado Paulo Tarso ainda não sabe se o processo terá desdobramentos, mas vai continuar investigando para saber se há mais envolvidos no crime.
O corregedor-geral da RF, José Oleskovicz, informou que foi aberto mesmo um inquérito administrativo, a partir da cópia do auto de flagrante feito pela polícia. O resultado sairá em 60 dias e Alberto Moreira Sena, funcionário concursado e com estabilidade, deverá ser demitido.
A operação que levou à prisão do auditor começou a ser montada há 15 dias, quando dois sócios de uma empresa do Plano Piloto procuraram o secretário Everardo Maciel para verificar uma suposta multa de R$ 3 milhões. Sena e outra pessoa ainda não identificada, cujo primeiro nome é Waldomiro, pediu aos empresários R$ 350 mil para não lançar a multa.
Na Superintendência da Receita Federal eles verificaram que Sena não tinha ordem para fiscalizar a empresa e nem havia preenchido a ficha multifuncional de praxe para fazer a verificação dos livros. O superintendente Everardo Maciel pediu então a colaboração da polícia, que solicitou a quebra do sigilo telefônico da empresa para gravar as ligações de Sena aos empresários.

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