Curitiba- Audiências públicas serão realizadas no final deste mês em Santa Catarina e em Palmas, no Sul do Paraná, para discutir a criação de oito unidades de conservação ambiental nos dois Estados. Destas, cinco serão no Paraná. No início desta semana, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) enviou documento ao Ministério do Meio Ambiente, ao governo estadual, a deputados estaduais e federais e a prefeituras para protestar contra a maneira como o processo de criação das unidades estava sendo conduzido.
A Faep alegou que o ministério não estava divulgando adequadamente as audiências públicas nos municípios afetados - convites para os encontros teriam chegado em cima da hora ou até mesmo depois das datas das reuniões e integrantes de entidades relacionadas ao assunto não teriam sido chamados. Além disso, informações importantes, como as dimensões das áreas de entorno das unidades de conservação, não estariam sendo divulgadas.
Em reuniões realizadas ontem e anteontem no Congresso Nacional, o Ministério do Meio Ambiente anunciou a realização das novas audiências e estipulou que os entornos não deverão passar de 500 metros a partir do perímetro das unidades. ''Não conseguimos fazer consultas públicas nestes locais (Santa Catarina e Palmas) antes devido a questões de segurança'', afirmou Maurício Mercadante, diretor de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente. Outra resolução tomada nas reuniões em Brasília foi a criação de comissões técnicas nos municípios localizados nas regiões onde serão estabelecidas as unidades.
Das cinco áreas de conservação ambiental propostas no Paraná, três delas (Parque Nacional dos Campos Gerais, Reserva Biológica das Araucárias e Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi) ficarão na região dos Campos Gerais. O Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas será criado no Sul do Estado e a Reserva Biológica das Perobas, no Noroeste. As áreas previstas das cinco unidades somam aproximadamente 100 mil hectares.
A diretoria da Faep comemorou o resultado das reuniões no Congresso, mas considera que ainda há muito a ser esclarecido. ''Não sabemos, por exemplo, quais serão as restrições à agropecuária nas áreas de entorno, se será proibido o plantio de espécies exóticas ou o uso de agrotóxicos, por exemplo. Caso isso aconteça, queremos saber quem irá indenizar os agricultores pelos prejuízos'', disse Carlos Augusto Albuquerque, assessor técnico da Faep.

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