Audiências devem oficializar desapropriações
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de maio de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Em aproximadamente 3 meses a professora Daniela Cesar vai sair da casa onde viveu os últimos 18 anos de sua vida para que o Aeroporto Governador José Richa, em Londrina, seja ampliado. Apesar da mudança, ela está feliz da vida: vai receber R$ 190 mil pela casa de 90 metros quadrados, construída num terreno de 420 metros na Avenida Salgado Filho.
Assim como ela outros 44 proprietários de casas e terrenos no lado sul do aeroporto, grande parte na Salgado Filho, participarão de audiências pré-processuais de conciliação na Justiça Federal entre os dias 14 e 17 para entregar oficialmente os terrenos para a União.
Conforme Daniela e outros moradores da região que conversaram com a FOLHA, praticamente todos os proprietários estão satisfeitos com o valor que receberão pela desapropriação. ''A melhor coisa é sair daqui. Não ouvi ninguém falar que ficou abaixo'', comentou a professora. Ela faz parte da comissão dos moradores e foi comunicada há cerca de 15 dias do valor que será pago pelo imóvel.
Daniela já tem um terreno, também na Zona Sul, onde irá construir uma casa para viver com os dois filhos. Depois da audiência na Justiça Federal, em 15 dias os proprietários devem receber o valor do terreno. ''Vou poder levar tudo daqui também. Desde telhas, portas, para outra casa'', disse. Os proprietários terão 90 dias para deixar a casa após a audiência.
Já Antonio Jerônimo da Silva está descontente com a desapropriação. Ele tira seu sustento há 14 anos da borracharia que toca na Avenida Salgado Filho. Em breve ele vai ter que sair, mas não vai receber nada por isso, pois apenas aluga o imóvel. ''Não sei ainda o que vou fazer. Estou perdido'', comentou.
De acordo com o economista Rubens Bento, da comissão de avaliação de imóveis do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), essa é a primeira fase da desapropriação. No total, 103 casas, uma escola e 44 lotes devem ser desapropriados, tanto no lado sul quanto no lado norte.
Nesta primeira fase serão desapropriados 44 terrenos do lado sul, a um custo de R$ 9,7 milhões. Os recursos são do Estado. Conforme Bento, outros sete terrenos no lado sul, que já foram avaliados, devem ser desapropriados até o fim do primeiro semestre - o valor será de R$ 6,2 milhões. Para esse montante, no entanto, os recursos ainda não foram liberados pelo Estado. No total, o governo estadual deve destinar 27,5 milhões para desapropriação de todo os 251 mil metros quadrados necessários.
De acordo com Bento, no momento apenas o lado sul, com 51 terrenos, está garantido. Após o fim da desapropriação desta região, Bento explicou que o lado norte deve ter início. São 97 propriedades que ainda não foram avaliadas.
Bento acredita que não vai haver problemas durante as audiências na próxima semana. ''Já discutimos a questão com os proprietários antes e todos pareceram aceitar a situação.''
O prazo para o município concluir a desapropriação, conforme planejamento inicial, acaba em 31 de dezembro. ''Até junho deve fechar o lado sul e teremos todo o segundo semestre para tratar do lado norte.'' Caso haja atraso nas desapropriações, o economista da Codel explica que a consequência imediata é ''atraso nas obras da Infraero no aeroporto''.
A Infraero anunciou no ano passado investimento de R$ 70 milhões até 2015 para ampliação e modernização do Aeroporto de Londrina, como, por exemplo, a instalação do ILS, equipamento que facilita o pouso em condições de baixa visibilidade. Até o momento já foi feito recape da pista, ao custo de R$ 7 milhões.


