Curitiba- O Ibama inicia hoje audiências públicas sobre o projeto da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto, prevista para o alto curso do rio Ribeira do Iguape, na divisa de São Paulo e Paraná. As audiências vão até 10 de julho e acontecem em Cerro Azul (PR), Adrianópolis (PR), Ribeira (SP), Eldorado (SP) e Registro (SP). A população poderá questionar a proposta do projeto que cria a primeira barragem do Rio Ribeira do Iguape.
A usina deverá fornecer energia elétrica para o complexo metalúrgico da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), na cidade de Alumínio (SP) próximo de Sorocaba. A CBA é uma empresa do Grupo Votorantim. A Fundação SOS Mata Atlântica, que contesta a instalação da usina, informou que toda a energia será utilizada para fins exclusivamente comerciais privados e que não será fornecida às cidades do Vale do Ribeira.
Segundo a coordenadora de projetos na área de recuros hídricos, Malu Ribeiro, a qualidade e a quantidade da água serão prejudicadas e pode causar a extinção de espécies. ''A construção dessas barragens pode impactar na sobrevivência da manjuba, uma espécie de peixe existente no local que sustenta, pelo menos, duas 2,5 mil famílias'', destacou.
A coordenadora disse ainda que esse projeto pode prejudicar diversas comunidades remanescentes de quilombos, caiçaras, índios e pequenos produtores rurais. De acordo com ela, até agora, os estudos ambientais apresentados pela CBA foram considerados incompletos e inconclusivos, pois não conseguiram dimensionar adequadamente os impactos sobre a qualidade da água, a mudança de seu regime hídrico, a influência sobre as centenas de cavernas existentes na região, entre outros aspectos.
Segundo Malu Ribeiro, a CBA conseguiu uma licença ambiental para a usina que foi cancelada por uma liminar, resultado de uma ação movida pelo Ministério Público Federal. Malu disse que a CBA fez algumas melhorias no projeto como a redução do número de barragens de quatro para uma, no entanto, mais profunda. ''A empresa readequou o projeto e entrou com novo licenciamento no Ibama'', disse. A discussão para a construção da usina começou há 20 anos. O primeiro Eia-rima é de 1994.
A CBA informou que o empreendimento tem apoio da população local e que mais de 4.800 moradores da região participaram de um abaixo-assinado em prol da construção. A CNEC Engenharia - empresa contratada pela CBA para conduzir os estudos ambientais - fez na região reuniões públicas para comunicar o início dos estudos e em áreas rurais para tratar da compensação. A empresa informou que estudos de viabilidade ambiental foram entregues ao Ibama e marcadas audiências públicas para apresentar o projeto e os estudos à população. A usina terá 129,7 MW de capacidade de geração e um investimento de R$ 500 milhões.
A empresa informou ainda que o programa de compensação à população rural é prioritário e vai atender mais de 500 famílias que residem nas áreas onde se formará o reservatório. Os moradores poderão optar por indenização ou por reassentamento.

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