Curitiba - J.V.C.M., 21 anos, preso há dois anos em Curitiba, vai receber um presente especial no dia dos pais: a visita de Robert, 1 ano, reconhecido como seu filho legítimo. O reconhecimento de paternidade foi feito ontem pela juíza da 4 Vara da Família de Curitiba, Joeci Machado Camargo, dentro da Prisão Provisória de Curitiba (PPC). Além desta, mais oito audiências de reconhecimento de paternidade e divórcio, todas consensuais, foram realizadas ontem como parte do projeto Justiça na Penitenciária, fruto de uma parceira entre a Justiça Estadual, a Secretaria de Estado da Justiça e o curso de direto da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP).
''Não tem nada mais valioso do que o filho da gente. E é muito bom saber que agora ele tem meu nome'', contou o preso que, até ontem, não via o filho há três meses porque ainda está no centro de triagem do PPC.
''Para mim é melhor porque facilita para trazer ele aqui'', completou a mulher do preso, Taciane Machado, 20 anos, referindo-se ao fato de que o novo sobrenome do filho elimina a burocracia de comprovar o parentesco para que as visitas sejam liberadas.
Ontem foram feitos três divórcios e seis reconhecimento de paternidades. As demandas são dos próprios presos. Além destes tipos de assunto, as audiências dentro da prisão também pode realizar casamentos ou reconhecimento de união estável.
Aproximar o dentento da família é o principal objetivo destas audiências, explicou a juíza. Isso justamente porque regularizar a situação familiar facilita as visitas.''Isso ajuda a ressocializá-los depois que eles saem da prisão porque eles têm a família próxima, esperando'', afirmou.
As audiências acontecem desde 2003, normalmente duas ou três vezes por ano. Porém, esta foi a primeira de 2005. Segundo o secretário de Estado da Justiça, Aldo Parzianello, os números comprovam o efeito das audiências. ''Em 2003 tínhamos um índice de 58% dos presos que recebiam a visita da família. Hoje é de 78%'', afirmou. A PPC tem 918 presos e, segundo o diretor da prisão, major Raul Vidal, a demanda é de cerca de 20 casos em cada triagem feita pela UTP.
Além de melhorar o contato familiar, as audiências também resgatam a cidadania dos presos solucionando situações pedentes, como, por exemplo, a de quem quer se divorciar. Este é o caso do casal A.J.L, 29 anos, e Márcia Cristina Ferreira de Paulo, 25 anos. ''Decidimos que iríamos nos separar há quase dois anos. E não tínhamos conseguido ainda porque é muito caro para fazer'', explicou Márcia. ''Mas apesar da separação temos um filho de seis anos que sempre veio ver o pai e vai continuar vindo'', completou.

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