Os envolvidos na discussão sobre a construção da Usina Hidrelétrica de São Jerônimo, em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio), informaram que mudaram a tática de combate em relação à construção da Usina Hidrelétrica de São Jerônimo, em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio).
Na última tentativa de realização de audiência pública, em 10 de janeiro, o Ministério Público Federal de Londrina conseguiu a sua suspensão, baseado numa ação movida pela Associação Nacional dos Atingidos por Barragens (Anab). Em vez de tentarem barrar a realização da audiência pública marcada para hoje, às 14 horas, em São Jerônimo da Serra, eles pretendem usar a ocasião para questionar tanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quanto a Companhia Paranaense de Energia (Copel), que realizou o EIA/RIMA.
A Copel também busca a concessão para a realização da obra junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
O procurador-chefe do Ministério Público Federal no Paraná, Mário Gisi, disse que, a princípio, o MP não é nem a favor nem contra a usina. ‘‘O papel do MP é ver cumprida a legislação ambiental e ver sanadas todas as implicações à sociedade’’, afirmou. As grandes preocupações do procurador são o impacto nas comunidades indígenas e com um estudo ambiental que contemple toda a bacia do Rio Tibagi.
O presidente da ONG Ambiental Norte do Paraná, Guataçara Rodrigues dos Santos, afirmou que, como a audiência será consultiva, eles pretendem questionar, por exemplo, os royalties pagos aos municípios atingidos pela construção da usina. Guataçara dos Santos adiantou também que não foi possível antecipar a data do encontro nacional dos atingidos por barragens para o dia 8, data da audiência. O encontro será realizado no dia 14 de março, em São Jerônimo da Serra.
Outro ponto a ser apurado, segundo Guataçara, é uma possível piora na qualidade da água consumida pela população de Londrina. Segundo a Sanepar, 58% da água consumida em Londrina e em Cambé (sistema integrado) é captada no Rio Tibagi.
A doutora em química ambiental do departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Josefa Santos Yab, explicou que o represamento do Rio Tibagi ‘‘traria modificações drásticas’’ à qualidade da água, sobretudo na região do lago da barragem. O lago serviria como uma espécie de depósito de todos os resíduos lançados no solo da bacia, como por exemplo agrotóxicos.
O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) de Londrina, Luiz Eduardo Cheida, antecipou que ‘‘a qualidade da água (consumida no município) é uma das preocupações’’, sobretudo em relação ao provável aumento da acidez da água. Cheida disse estar atento também ao conteúdo do EIA/RIMA.
A Copel foi procurada pela reportagem para se posicionar sobre o assunto, mas não retornou o pedido até o fechamento desta edição.

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