Marcos Zanatta
Uma audiência pública, possivelmente em agosto, vai discutir a questão da distância entre postos de combustíveis e o impacto ambiental do setor na área urbana de Maringá. No início do mês, um projeto de lei proponto o fim da distância entre os postos, que hoje é de 1.500 metros, causou muita polêmica.
O projeto foi aprovado em primeira discussão e derrubado na semana passada, depois que professores do Instituto de Tecnologia e Ciência Ambiental, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), apresentaram um estudo sobre a poluição de rios, lagos e da água subterrânea da cidade.
O trabalho foi realizado no lago do Parque do Ingá, na área central da cidade, e apresentou alto índice de resíduos. A água e, principalmente o sedimento no fundo do lago, apresentam grande quantidade de metais pesados como chumbo, cádmio, cromo e mercúrio.
Os pesquisadores acreditam que boa parte dessa poluição vem de postos de combustíveis, oficinas mecânicas e auto-elétricas instaladas ao redor do parque. Como existem empresas do mesmo tipo por toda cidade, a conclusão do instituto é que a poluição alcança as demais nascentes e atinge o lençol freático.
Com a audiência pública, os vereadores querem levantar amplamente a situação ambiental de Maringá, medindo o impacto das várias atividades econômicas na área urbana. As conclusões devem nortear a elaboração de projetos mais abrangentes, não apenas da distância entre os postos.
‘‘Queremos subsídios para garantir a qualidade não apenas da água, mas também de todo meio ambiente urbano’’, diz o vereador Basílio Baccarin (PSDB), que vai presidir a audiência. Ele destaca que o evento é inédito em Maringá e que as entidades representativas de toda sociedade estão sendo convidadas.
No total, já foram acionadas 20 entidades, entre associações de bairros e de profissionais, até órgãos de defesa ambiental. As sugestões aprovadas na audiência serão utilizadas na confecção de um projeto inicial.
A questão dos postos também será analisada. Hoje, a lei define uma distância de 1.500 metros entre os postos, o que desagrada empresas do setor, que pretendem se instalar na cidade. ‘‘A audiência é a forma democrática da sociedade participar de decisões que diz respeito à toda população’’, diz Baccarin.Vereadores de Maringá querem fazer levantamento complete para medir o impacto das várias atividades econômicas na área urbana
Marcos NegriniResíduos tóxicosLago do Parque do Ingá apresenta poluição provocada por produtos químicos a base de metais pesados como chumbo, cromo e mercúrio

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