Audiência termina sem acordo em caso de agressão e racismo
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
Davi Baldussi <br>Reportagem Local 
Londrina - A audiência conciliatória entre o professor Valdecido Pereira da Silva e o policial civil Paulo Valério Kwiastkowski terminou sem acordo ontem no Fórum de Londrina. O encontro durou menos de dez minutos. No final do ano passado, o policial e o professor se desentenderam no interior de um supermercado na Área Central da cidade. Valdecido alega que foi vítima de racismo enquanto o policial afirma que teria sido agredido pelo professor.
Na ocasião, o policial prendeu Valdecido e o levou até o 1º Distrito Policial (DP), onde foi assinado um termo circunstanciado, que motivou a realização da audiência conciliatória.
''Eu estava na fila do caixa eletrônico e ele estava no caixa. Ele pensou que eu estava querendo ver a senha dele e começou a me xingar, me chamou de preto vagabundo. Aí veio me agarrar para arrastar para fora, foi aí que dei um soco na testa dele'', afirmou Valdecido. Pouco depois, o professor teria sido abordado por Valério, qu estava armado, na saída do estabelecimento.
No 1º Distrito Policial (DP), foi registrado termo circunstanciado no qual o policial acusa Valdecido de agressão. Como não houve acordo ontem, o advogado do policial terá cinco dias para apresentar testemunhas para uma nova audiência, que ainda não tem data definida. Depois Valdecido será chamado para apresentar sua defesa.
Alguns dias após o fato foi feita uma denúncia de racismo contra o policial. Colegas de trabalho de Valdecido, que é formado em História mas atua no setor administrativo do Centro de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja), souberam do ocorrido e divulgaram um texto de apoio na internet. No dia 12 de janeiro o professor foi ao Ministério Público prestar depoimento. Um inquérito foi aberto no 1º DP para apurar a denúncia de racismo.
A reportagem buscou contato com o delegado do 1º DP, mas ele está fora da cidade participando da Operação Verão. Seu substituto estava de folga. De acordo com o delegado chefe da 10 SDP, Márcio Amaro, o inquérito está sendo apurado, mas ele não tinha detalhes sobre o andamento do caso.
O advogado André Cunha, que defende o policial, alegou ontem que no termo circunstanciado de Valdecido não relatou nenhum ato de racismo. ''Isso só apareceu depois'', comentou. Cunha afirmou que os seguranças do supermercado vão testemunhar sobre a agressão. As duas partes pediram o vídeo da ocorrência ao supermercado, o qual disse em ofício que ''as gravações realizadas pelas câmeras de segurança situadas no interior da loja, ficam arquivadas pelo prazo de 48 horas''.


