Audiência pública na AL discute trabalho escravo no interior
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 26 (AE) - Uma audiência pública convocada pelas comissões de Direitos Humanos e Relações do Trabalho da Assembléia Legislativa discute amanhã (27) a utilização de mão-de-obra infantil e o trabalho escravo nas culturas de tomate e áreas de reflorestamento, no sudoeste do Estado. Segundo o deputado Hamilton Pereira (PT), presidente da Comissão de Relações do Trabalho, pelo menos quatro mil bóias-frias estão trabalhando em troca de comida nas lavouras de tomate nos municípios de Ribeirão Branco, Capão Bonito, Apiaí e Guapiara. De acordo com o parlamentar, a mão-de-obra explorada pode chegar a 10 mil pessoas, com a inclusão dos trabalhadores das empresas de resinagem que se espalham pelos municípios de Buri, Itapeva e Itararé.
Pereira recebeu denúncias de que os trabalhadores são obrigados a comprar alimentos no armazém do proprietário da fazenda. Eles não são registrados e recebem vales na proporção de R$ 30,00 por mil pés de tomates. Cada família recebe em média R$ 150,00 por mês em vales, que são descontados no armazém. Crianças de até 8 anos ajudam os pais na colheita do tomate. "O que caracteriza o trabalho escravo é que as famílias, ao invés de receber salários, acabam ficando devendo para os fazendeiros."
O deputado percorreu a região e apurou que, no plantio e na colheita, adolescentes são obrigados a trabalhar de 15 a 16 horas por dia, com alimentação insuficiente, sendo submetidos a humilhações pelos administradores. Muitos são obrigados a aplicar defensivos nas lavouras sem equipamentos de proteção.
No ano passado, uma criança morreu em razão do contato com agrotóxicos. "Pretendemos fornecer subsídios para que as autoridades coíbam essa prática ilegal." O Ministério do Trabalho, através da Subdelegacia Regional de Bauru, iniciou este mês um programa de combate à exploração do trabalho e ao uso de mão-de-obra infantil na região.
Para a audiência, que se realiza às 14 horas, no Auditório Teotônio Vilella, foram convidados representantes do Ministério Público do Trabalho, Secretaria da Justiça e da Cidadania, Procuradoria Geral da Justiça, sindicatos rurais e de trabalhadores, prefeitos e vereadores da região.


