Londrina – A adolescente de 16 anos, apontada pela Polícia Civil como a mentora do latrocínio do empresário José Luiz de Souza, demonstrou frieza ontem ao ficar frente a frente com familiares da vítima antes de participar de audiência na 2ª Vara da Infância e Juventude. Escoltada por policiais militares e uma educadora, ao subir a rampa do Fórum de Londrina, ela encarou o público e abriu um sorriso.
A atitude revoltou os parentes da vítima. "Gera uma revolta muito grande. Ela tratou a gente com indiferença, com ar de deboche", esbravejou a viúva Luciney Oliveira de Souza. "É humilhante e revolta ao saber que a lei é frouxa", criticou a filha da vítima, Samantha Souza. "A sensação é de fracasso por saber que a gente não pode fazer nada", lamentou o filho do empresário morto, Murillo de Souza. A mãe de José Luiz, que tem 84 anos, sofreu uma crise emocional e teve que ser amparada.
O juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude, Luiz Valerio dos Santos, presidiu a audiência de apresentação dos adolescentes acusados de participação no latrocínio do empresário José Luiz de Souza. Três menores de idade foram ouvidos, incluindo o garoto de 16 anos que confessou ter atirado na vítima. O grupo tentava roubar um R$ 13 mil que havia no caixa do depósito de materiais de construção e dividir o montante entre si. A adolescente apontada como idealizadora do crime trabalhava na empresa. "Uma funcionária que tiramos das ruas, abrimos as portas e demos oportunidades, mas que infelizmente destruiu nossa família", lamentou Luciney Oliveira.
O crime, ocorrido no final do mês passado, gerou comoção na cidade. Parentes da vítima organizam um movimento nacional para tentar reduzir a maioridade penal. O abaixo-assinado já conta com cerca de 100 mil assinaturas.
Ontem, amigos e parentes de Souza protestaram em frente ao Fórum de Londrina. "Enquanto não houver pena mais rígida para delinquentes, nosso país nunca será de Primeiro Mundo. Há muito jogo de interesse impedindo que essa lei (da redução da maioridade penal) entre em prática", afirmou a viúva.
A próxima audiência do caso está marcada para semana que vem, quando serão ouvidas testemunhas de acusação.
Este foi o segundo protesto no local em dois dias. Na quinta-feira, parente do empresário Albino Marcos, morto no início do mês em Guaravera, também fizeram uma mobilização contra a criminalidade.

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