Audiência discute o trabalho escravo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Maigue Gueths<BR>Equipe da FOLHA 
Curitiba - Menos de um mês depois de resgatar 67 trabalhadores em condições degradantes em fazendas de extração de erva-mate e de exploração de pinus na cidade de Palmas (Sudoeste), o Ministério Público do Trabalho (MPT) apreendeu, nesta última semana, mais 19 trabalhadores nas mesmas condições em outra fazenda, também em Palmas. Outra propriedade em Pinhão (Centro) também foi alvo de fiscalização, mas o MPT não sabia precisar, ainda, o número de empregados. Ontem audiência pública em Curitiba discutiu o problema.
''Encontramos os trabalhadores vivendo em oito barracos de plástico'', conta o procurador Gláucio Araújo de Oliveira, ressaltando que apesar do frio extremo dos últimos meses, os empregados não tinham nenhuma barreira física contra o frio.
No Paraná, de acordo com Oliveira, os casos de trabalho escravo acontecem principalmente nas fazendas de erva-mate e de plantação de pinus, onde os trabalhadores são contratados por agenciadores ou intermediadores de mão de obra. Em 2009, as empresas autuadas tiveram que pagar só em indenizações por danos morais R$ 405 mil. Mas a conta é bem maior. Na última autuação, os valores pagos pela empresa de Palmas ultrapassaram R$ 650 mil, somando indenização, verbas rescisórias e outras multas.
No encontro de ontem, o MPT-PR propôs um pacto entre as partes, com a criação de mecanismos que possam coibir a prática.


