Audiência discute lei do serviço público
Curitiba sedia amanhã uma audiência nacional pública para discutir o anteprojeto de lei que regulamenta a defesa do usuário do serviço público. O projeto pretende que o cidadão brasileiro tenha direito à prestação de um serviço público adequado, o que significa um serviço prestado de forma regular, contínua, cortês, segura e eficiente, como diz o relator do anteprojeto, o professor de Direito Manoel Eduardo Alves Camargo e Gomes, da Universidade Federal do Paraná.
O anteprojeto está sendo elaborado por uma comissão de juristas brasileiros da PUC de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade Federal da Bahia. O representante paranaense, escolhido como relator, explica que a lei vai se aplicar apenas à esfera federal, mas inclui os serviços prestados tanto pelo poder público como por concessionários ou permissionários de serviços públicos - o que envolve até mesmo as redes de televisão, uma vez que são concessões públicas.
A proposta da comissão cria um mecanismo de defesa do cidadão nunca antes previsto por qualquer lei brasileira. É uma lei que, sob muitos aspectos, diz respeito ao resgate do exercício da cidadania plena, diz o professor Manoel Eduardo. Para modificar a cultura de que o serviço público é um serviço de segunda qualidade, a lei prevê a criação de um Conselho Nacional de Serviço Público e o cargo de ouvidor nacional, que será indicado pelo conselho após arguição pelo Senado Federal.
Ao conselho caberá fiscalizar a política nacional de serviço público e estabelecer critérios e condições para a prestação dos serviços, além de definir uma política de defesa do usuário. A garantia do sucesso está na formação do conselho: o anteprojeto prevê que tenha 50% de representantes dos usuários, 25% de prestadores de serviços e 25% de representantes do poder público.
Para que a idéia funcione, está prevista também a criação de uma comissão de avaliação em cada um dos serviços, para analisar anualmente o desempenho e a qualidade da prestação do trabalho. Essa avaliação será amplamente divulgada e afixada no próprio local da prestação do serviço, diz o professor Manoel Eduardo. O resultado será encaminhado ao Conselho Nacional do Serviço Público, que terá poderes para tomar decisões, incluindo a extinção da concessão.
A audiência pública, a primeira iniciativa do gênero no Brasil, acontece no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFPR, às 8h30.





