Curitiba- Representantes da Petrobras e da Comunidade Dois Irmãos, de São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória), participam hoje pela manhã de uma audiência no Fórum da cidade. No encontro, será discutida a situação das cerca de 90 famílias da comunidade. A Petrobras quer desapropriar a área onde elas moram para expandir a Usina do Xisto.
Segundo representantes da comunidade, no final de agosto vence o prazo estabelecido através de decreto do governo federal para que a empresa desaproprie a área. ''A Petrobras quer indenizar essas famílias para que elas deixem o local e pode até recorrer à via judicial para que saiam de lá'', afirmou Antônio Gilberto Voluchin, associado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Mateus do Sul.
A Comunidade Dois Irmãos é composta de pequenos agricultores e suas famílias. Segundo Voluchin, na década de 80 parte deles residia numa área que foi desapropriada pela Petrobras. Os moradores foram indenizados e alguns deles compraram terrenos na região onde hoje fica a Comunidade Dois Irmãos.
Ainda de acordo com Voluchin, a Petrobras não utilizou a área que desapropriou nos anos 80 e a vendeu para cinco fazendeiros. ''Caso tenham realmente que sair do local onde estão hoje, as famílias da Comunidade Dois Irmãos querem ir para a área que a Petrobras não usou'', explicou o associado.
José Manuel Villar Gulin, gerente-geral da Petrobras em São Mateus do Sul, disse que as discussões com as famílias sobre a desapropriação da área da Comunidade Dois Irmãos estão sendo feitas há dois anos. ''É um processo harmônico e estão sendo respeitados os direitos dos moradores. Estamos tentando fazer com que as famílias continuem trabalhando com a terra e em áreas em São Mateus do Sul'', apontou ele.
''As negociações continuarão mesmo após o vencimento do decreto. Estamos fazendo todos os esforços para encontrar alternativas. Até reduzimos o número de áreas de direito apontadas no decreto. A Petrobras possui terrenos e estamos buscando a aquisição de outros para acomodar as famílias da Comunidade Dois Irmãos'', informou Gulin.
Quanto à área desapropriada pela Petrobras na década retrasada, o gerente lembrou que hoje aquela região é composta de ''propriedades particulares''. ''Esta área poderia ser utilizada se houvesse algum instrumento jurídico, mas isso não depende da Petrobras. Por isso estamos procurando alternativas'', concluiu Gulin.

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