Audiência define indenização menor para vítimas da Itaipu
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2001
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
As famílias de dois ex-seguranças da Itaipu mortos próximos à barragem da usina devem aguardar mais 30 dias para saber se receberão ou não a indenização pela Binacional. Na audiência realizada ontem no Fórum de Foz do Iguaçu foi definido o valor da indenização, que será avaliado pela diretoria da empresa. Caso a proposta seja aceita, o valor total calculado em juízo poderá chegar a R$ 1,7 milhão, cerca de 50% menor do que o solicitado inicialmente.
O processo foi prorrogado para 14 de março porque o setor jurídico da Itaipu admitiu ser difícil a aprovação do pagamento individual de R$ 200 mil por danos morais supostamente sofridos por Iracema Teodoro Souza Sasdelli e Araci Rodrigues Ojeda -juntamente com seus filhos - depois da morte dos respectivos maridos, Silvio Américo Sasdelli e Luiz Ojeda. O juiz que recebeu o processo, Pericles Bellusci Pereira, comentou: Pelo que está previsto em lei, tanto eu quanto qualquer tribunal do Paraná dificilmente aprovaríamos estes valores, disse.
Quanto às pensões descritas nos autos, a possibilidade de ressarcir as vítimas é bem maior, segundo o advogado Luciano Eurico Veras, que encerrou a audiência dizendo que apresentaria a proposta em uma reunião ainda ontem. Na avaliação da advogada Erian Karina Nenetz, que fez um levantamento dos salários de ambos os funcionários na época em que trabalhavam, a pensão de Iracema Sasdelli pode chegar a R$ 1,17 milhão, enquanto que a viúva Araci Ojeda deve receber R$ 143 mil. As diferenças ocorrem porque os cálculos são baseados na expectativa de vida (70 anos, segundo a lei) e no salário individual, explicou Karina. Ela destacou que Sasdelli e Ojedo tinham, respectivamente, 31 e 51 anos, quando morreram em um acidente de barco há 15 anos.
Conforme a família, as vítimas atenderam à ordem do chefe de segurança, que determinou o salvamento de um pescador ilhado num pedaço de terra entre as turbinas e os vertedouros da Itaipu Binacional, mesmo com as comportas abertas. O motor da embarcação parou de funcionar no meio do Rio Paraná e os dois foram levados pela correnteza até as quedas do vertedouro, onde morreram pela pressão dágua.


