Curitiba- Uma audiência pública, realizada ontem de manhã, na Assembléia Legislativa, deu início aos debates para estabelecer a redação final de um projeto de lei, de autoria do deputado Hermas Brandão (PSDB), para a criação do Programa SOS-Racismo no Paraná. O programa prevê a implementação de um serviço telefônico para receber denúncias, além de apoio à criação de delegacias e de varas especiais para os casos de racismo.
A criação de órgãos específicos para investigações de crimes de racismo começou a ser discutida em função de manifestações registradas em Curitiba nas últimas semanas por grupos intitulados ''Orgulho Branco'' e ''Frente Anti-Caos''. A Subseção de Curitiba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) chegou a indicar o advogado André Nunes como representante para acompanhar os casos.
Iniciativa de entidades representantes dos negros, o projeto também está sendo discutido por entidades de defesa dos homossexuais e da comunidade judaica, todos vítimas de discriminação.
Até ontem, cinco casos de agressão a homossexuais e negros, ocorridos este ano em Curitiba, tinham sido denunciados pelas entidades. Ontem, o presidente da Federação Israelita do Paraná, Isac Baril, relatou que a comunidade judia também tem sido vítima de ataques. Na mesma semana em que foram distribuídos adesivos com frases contra os negros, vários muros, situados próximos à sinagoga, ao cemitério israelita e de residências de judeus apareceram pichados com a suástica, que é o símbolo nazista, e com frases, como ''morte aos judeus'' e ''Hitler ist Gott'' (Hitler é Deus, em alemão).
A auxiliar de enfermagem Rosalina Gonçalves Cardoso, 31 anos, e negra, contou que foi impedida de entrar em uma loja em um grande shopping de Curitiba, no dia 20 de setembro. ''O segurança ou gerente da loja disse que não queria que negro entrasse em sua loja. Uma amiga branca que estava comigo entrou e foi bem tratada. Eu fui vítima de discriminação'', denunciou. Rosalina registrou queixa policial.
Em todos os casos, as vítimas não sabem a quem recorrer e nem onde denunciar a agressão. Por isso, as entidades reivindicam a instalação de órgãos específicos para receber denúncias e investigar os casos.

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