Rio, 23 (AE) - O processo contra o Estado do Rio envolvendo o desaparecimento do funcionário da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Jorge Careli, em 10 de agosto de 1993, poderá chegar ao fim com a audiência prevista para amanhã (24), na 10ª Vara Federal de Fazenda Pública do Rio. O Estado é acusado de responsabilidade porque o desaparecimento ocorreu durante uma operação realizada por policiais da Delegacia Anti-Sequestro (DAS) na favela de Varginha.
Segundo testemunhas, Careli foi espancado e levado por policiais em uma Kombi branca, quando falava em um telefone público. Até hoje seu corpo não foi encontrado. Os pais do funcionário - Antônio e Maria Almeida - entraram na Justiça contra o Estado pedindo reparação de danos morais e materiais. Caso a sentença seja favorável, eles poderão receber uma indenização que será calculada com base no salário recebido por Careli em 1993 - quando ele desapareceu, aos 30 anos - até 2028 - quando faria 65 anos. Protesto - Funcionários da Fiocruz, parentes e amigos de Careli programaram para amanhã um protesto no Fórum. "A culpa do Estado já foi reconhecida pela Justiça, há quatro anos, quando o juiz afirmou não haver dúvidas de que ele foi espancado por policiais", afirmou o diretor da Associação de Funcionários da Fiocruz, álvaro Nascimento.
Após o crime, a família deu queixa na 21ª Delegacia de Polícia. O Ministério Público denunciou 23 policiais acusados de envolvimento no desaparecimento de Careli, mas todos foram absolvidos pelo juiz Heraldo Saturnino de Oliveira. Em agosto de 95, Lindalva dos Prazeres testemunhou ter visto Careli ser torturado na DAS. O Ministério Público recorreu, mas, meses depois, o juiz manteve sua sentença.

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