Atuação do BC é fundamental para controle da inflação, diz Bernadini Rita Tavares
São Paulo, 29 (AE) - O diretor do Departamento de Competitividade Industrial da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mário Bernardini, disse que a mudança do Banco Central na condução da política cambial é fundamental, porque é preciso sinalizar que a inflação e o câmbio são "decrescentes", o que evitaria o medo da volta da inflação e o risco da reindexação.
"O Banco Central vai deixar de ser um espectador, para ser um ator. Antes tarde do que nunca", disse o empresário, ponderando que a Fiesp tem muita preocupação de que o governo não consiga a apreciação do câmbio. Segundo ele, uma política cambial fora de controle pressionaria a inflação que está registrando altas desde o mês passado.
Até o final deste ano a cotação do real frente ao dólar deve ficar em R$ 1,95, de acordo com Bernardini. Se a resistência e desconfiança do mercado caíssem nos próximos dois meses, assim como se houvesse um saldo positivo na balança comercial nesse período, ele acha que a cotação poderia recuar, no máximo, para R$ 1,90.
Uma melhora mais consistente das expectativas do câmbio, de acordo com Bernardini, depende fundamentalmente do crescimento das exportações brasileiras. "Se o governo não atrapalhasse por uns seis meses, isso seria possível", disse, criticando, por exemplo, a revisão da Lei Kandir. O empresário acredita que se as exportações decolarem, a balança comercial terá um superávit de US$ 5 bilhões no próximo ano, o que seria um ingrediente positivo para o controle da política cambial.





