Londrina - A atuação de guardadores de carros, conhecidos popularmente como flanelinhas, tem irritado motoristas que dependem de uma vaga para estacionar. O cirurgião traumatologista Amadeu Pullin, de 69 anos, afirma que é preciso achar um jeito de acabar com a exploração. ''Eles cobram o valor que querem e se não pagarmos eles acabam quebrando retrovisores, faróis e riscando o carro'', reclama. Para ele, a recém-criada Guarda Municipal deveria assumir o papel de cuidar dos estacionamentos das vias públicas.
Pullin destaca que já passou por esse tipo de situação quando teve de ir a uma formatura no Ginásio Moringão, quando teve seu carro riscado. ''Desde então passei a andar de táxi, porque assim não preciso correr o risco de um flanelinha riscar o meu carro e não tenho que ficar procurando vaga, além de não correr o risco de ser assaltado na hora de pegar o carro'', declara. Segundo ele, o preço da corrida de táxi é equivalente ao cobrado pelos flanelinhas em eventos desse tipo. ''Esses flanelinhas cobram cerca de R$ 10 e uma corrida de táxi sai mais ou menos por esse valor'', aponta.
O dentista Antônio André dos Santos, 63, também se declara contra a atuação dos flanelinhas. ''Se você se recusar a pagar o que eles pedem, seu carro é riscado. Se o pagamento for feito, eles vão embora e deixam o seu carro sem ninguém vigiando'', critica.
Ele conta que em shows realizados no Teatro Marista, os guardadores de carros estabelecem valores acima de R$ 10, o que ele considera abusivo. Mas a reportagem chegou a constatar que em determinados eventos o preço pode chegar a R$ 20. Santos deixou de usar o carro para ir ao consultório para deixar de ser ''cliente'' habitual dos guardadores. ''Vou a pé, e quando preciso ir ao Instituto Médico Legal vou de ônibus para não pagar os flanelinhas'', expõe.
Para o segurança Alexandre de Almeida, 29, os flanelinhas só estão procurando um jeito de ganhar o seu dinheiro. ''É um meio de sustento e nessa rua (Jorge Velho) o pessoal é gente boa, nunca estabelece um valor a ser pago'', defende. Ele admite, no entanto, que alguns cobram o motorista e depois não cuidam do veículo.
O guardador de carros S.P., de 69 anos, não quer ser identificado, mas conta que trabalhou como ensacador em uma indústria da cidade por 17 anos e agora trabalha como flanelinha para complementar a sua renda. Ele passa o dia nas proximidades de clínicas médicas e não cobra valor fixo. ''Recebo o que os motoristas podem dar'', garante. Ele ganha R$ 1 mil de aposentadoria e com o trabalho de flanelinha consegue complementar a renda.

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